Exclusivo: Delegado desmente diretor da PF sobre Sindnapi - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Exclusivo: Delegado desmente diretor da PF sobre Sindnapi

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O delegado da Polícia Federal Carlos Henrique Oliveira de Sousa afirmou nesta quarta-feira (28), em audiência na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, que o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi) está sob investigação. A declaração contradiz a versão dada anteriormente pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que havia negado a apuração contra o sindicato ligado a Frei Chico, irmão do presidente Lula.

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O Sindnapi é investigado”, afirmou o delegado. “A própria representação inicial tem 247 folhas e eu passei o final de semana lendo para estar mais esclarecido sobre alguns detalhes da operação.

A fala de Carlos Henrique aconteceu durante os questionamentos do deputado Marcel Van Hattem (NOVO-RS), que cobrou explicações sobre o motivo de o sindicato não ter sido incluído nas primeiras divulgações sobre a operação que apura fraudes em descontos indevidos em aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS.

A investigação ganhou força após relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) apontar que 76,9% dos beneficiários vinculados ao Sindnapi negaram ter autorizado qualquer desconto em folha. O documento também revela um salto nas receitas do sindicato: de R$ 23 milhões em 2020 para R$ 154 milhões em 2024, especialmente durante o atual governo petista.

A fala do delegado reforça a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que acolheu representação do partido NOVO e determinou inspeções no INSS, no Ministério da Previdência e na Dataprev para rastrear os repasses feitos a entidades sindicais e os responsáveis por autorizar os descontos.

Segundo o ministro do TCU Aroldo Cedraz, os Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) que envolvem descontos em benefícios previdenciários estão suspensos até a conclusão das apurações.

Assista ao vídeo:

 

Conforme foi revelado por este site, em janeiro de 2023, o Sindnapi entregou ao então ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), um documento com demandas que facilitaram o esquema investigado pela Polícia Federal. A principal solicitação era o desbloqueio automático dos descontos de mensalidades associativas, revogando exigências criadas pela MP 871/2019, editada no governo Bolsonaro, que dava aos aposentados o poder de autorizar ou não as cobranças via canais do INSS.

Com o aval do governo Lula, o INSS passou a permitir que as entidades enviassem diretamente à Dataprev as listas de filiados a serem descontados, sem comprovação documental ou biometria facial. O resultado foi um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões, com mais de 6 milhões de aposentados lesados. A arrecadação do Sindnapi saltou de R$ 17 milhões em 2019 para R$ 149 milhões em 2023, crescimento de 415%.

Apesar das evidências, o Sindnapi foi poupado de buscas na Operação Sem Desconto. O sindicato ainda sugeriu a renovação automática dos acordos de cooperação técnica (ACTs) e pediu autorização para cobrar mensalidade de beneficiários do BPC, além de propor que entidades privadas assumissem funções do INSS, com remuneração do Estado.

Leia mais sobre essa apuração AQUI 

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