Vencer o bolsonarismo é diferente de destruí-lo - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Vencer o bolsonarismo é diferente de destruí-lo

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Por Claudio Dantas

Depois de vencer o bolsonarismo, agora o Supremo Tribunal Federal quer destruí-lo. Quem ainda esperava uma candidatura de Jair Bolsonaro em 2026, pode esperar sua prisão nos próximos dias. O recado foi dado ontem no pedido de abertura do inquérito contra Eduardo por “coação, obstrução de investigação e atentado contra o funcionamento dos poderes constitucionais”.

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Bolsonaro, como anunciou Kakay, já seria preso em setembro após sua condenação na ação penal sobre a trampa golpista. Mas sobreveio essa história de usar o dinheiro do PIX de seus apoiadores para bancar o filho nos EUA. Como o 03 é hoje o principal articulador das sanções que virão do governo Trump, bastou a Paulo Gonet juntar as pontas e dar a Alexandre de Moraes o argumento de urgência que ele tanto ansiava.

Ontem mesmo, o ministro determinou sua intimação.

A pergunta é se a prisão ocorrerá antes ou depois das audiências das testemunhas de defesa convocadas para a próxima sexta-feira. Dentre elas, Tarcísio de Freitas, que já é tratado por caciques partidários e lideranças políticas como virtual candidato à Presidência da República. Outro é Ciro Nogueira, candidato a vice.

DIREITA E CENTRO

Nos últimos dias, o governador foi convidado de honra na filiação de Guilherme Derrite ao PP de Ciro e no jantar de filiação de Paulo Hartung ao PSD, de Kassab. No primeiro, fez discurso de presidenciável. Na sexta, testemunhará a favor de Bolsonaro, que, como sempre ressalta, “é a maior liderança da direita”.

Hoje, ACM Neto (União) avisou que o centro não estará com Lula ano que vem.

Parece que todos já sabem o que ocorrerá e se movimentam para herdar os milhões de votos conservadores e anti-petistas que ficarão órfãos. Todos também sabem que não houve tentativa de golpe, mas cumprem o ritual político, cientes de que precisarão do aval do Supremo para disputar as eleições em 2026. 

Isso também significa que nenhum familiar de Bolsonaro terá permissão dos ministros para disputar a Presidência em seu lugar, ou mesmo o Senado. Aliados mais próximos também correm risco. Podem escrever.

Pouco importa se nunca houve uma tentativa de golpe, se Eduardo está apenas exercendo seu direito de manifestação ou se Michelle escapou ilesa até agora. Pouco importa se os ministros do Supremo reinterpretam à sua maneira o texto constitucional, se deliberam sobre casos envolvendo parentes, se festejam com empresários com processos em seus gabinetes — e ainda descondenam os corruptos de ontem.

É assim que funciona numa juristocracia, a ditadura do Judiciário.

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