O senador e ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS) negou em depoimento no STF a participação em reuniões que discutissem golpe de Estado ou medidas de exceção. Ouvido há pouco, na ação penal sobre suposta tentativa de impedir a posse do governo atual, Mourão afirmou que as manifestações de 8 de janeiro aconteceram sob responsabilidade do governo atual.
“Eu estava em casa, na piscina, quando meu filho me ligou alertando sobre a baderna. Liguei a TV e vi” relatou.
Ele afirmou que o planejamento de segurança na Esplanada, de responsabilidade do governo empossado, falhou ao não acionar forças necessárias para impedir os atos. “Isso deveria ter evitado fatos dessa natureza” declarou.
Questionado sobre os generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Braga Netto, Mourão negou diálogos sobre medidas de exceção. “Conheço Braga Netto há mais de 40 anos. Ele construiu uma carreira militar de excelência” afirmou, descartando envolvimento do general em irregularidades.
O senador também afirmou que nunca tratou de estado de defesa ou intervenção militar com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Em nenhum momento Bolsonaro mencionou qualquer movimentação” disse Mourão. Ele relatou encontros com Bolsonaro após a derrota eleitoral de 2022, mas afirmou que as conversas abordaram outros temas. Sobre pressão por intervenção militar, Mourão reconheceu manifestações em frente a quartéis, mas chamou os pedidos de “inviáveis”.
Mourão defendeu o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. “Conheço Cid desde os dois anos. Ele sempre seguiu os valores do Exército” disse. Sobre suposta minuta de golpe, Mourão negou conhecimento de qualquer mensagem que descreveu uma suposta reunião que Mourão estava e chamou o texto de “fantasia” e “totalmente fake”. Ele rejeitou acusações de reuniões secretas, informando que seus atos como vice-presidente eram públicos e registrados na agenda oficial.
Sobre acusações de ser agente da China ou da CIA, ele minimizou: “Vem do pântano das redes, não do Exército”. Mourão relatou harmonia na transição, com contatos diretos com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
