AGU dá 24h para redes sociais removerem notícias sobre a Janja na Rússia - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

AGU dá 24h para redes sociais removerem notícias sobre a Janja na Rússia

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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Por Claudio Dantas

A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou nesta quarta-feira (14) as empresas Meta (Instagram, Facebook, Threads e WhatsApp) e TikTok para remover, em 24 horas, publicações sobre a viagem da comitiva brasileira à Rússia.

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O pedido partiu da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, após circular nas redes sociais uma imagem que mostra a primeira-dama junto a malas e a frase de que continham dinheiro desviado do INSS.

A postagem, um meme, sugere que Janja teria sido detida na Rússia após inspeção das bagagens. A AGU classifica o conteúdo como “tentativa de comprometer a legitimidade da missão diplomática brasileira” e aponta risco à “estabilidade institucional”.

As plataformas que descumprirem a ordem podem responder por omissão culposa, já que as mensagens confundem o público sobre relações diplomáticas e a missão oficial do Estado.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) repostou, em sua conta no X, uma publicação do site “Revista Brasil” que questiona a quantidade de malas no voo de Janja, mencionando “O escândalo das 200 malas: Janja leva bagagem descomunal em viagem à Rússia”.
Janja esteve na Rússia entre 3 e 7 de maio, a convite do governo local, antes da chegada do presidente Lula. Sua agenda incluiu encontros com estudantes de português, visitas ao Kremlin, ao Teatro Bolshoi e ao Museu Hermitage, além de reuniões com autoridades, como o governador de São Petersburgo, Alexander Beglov.
A notificação extrajudicial da AGU não possui força de ordem judicial, sendo apenas uma tentativa de pressão administrativa para que as empresas atuem rapidamente.

A atuação foi criticada pelo advogado constitucionalista André Marsiglia. Segundo ele, a medida não respeita os limites institucionais do órgão.

“O conteúdo das postagens é irrelevante neste ponto. A AGU não tem legitimidade para questionar plataformas em um caso como esse. A AGU serve para apoio jurídico do Estado, não do governo – e muito menos da Janja, que sequer possui cargo eletivo”, afirmou Marsiglia.

Marsiglia contesta o uso da AGU nesse contexto. “Mobilizar o Estado em favor dos interesses do governo ou de uma pessoa física, a meu ver, fere o princípio da impessoalidade (art. 37 da CF) e pode responsabilizar os agentes públicos envolvidos”, disse.

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