Programa do governo Lula contra seca concentra 85% dos recursos em ONG de integrantes do PT - Claudio Dantas
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Programa do governo Lula contra seca concentra 85% dos recursos em ONG de integrantes do PT

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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Por Redação

O Ministério do Desenvolvimento Social, do governo Lula, direcionou 85% dos recursos do programa de cisternas para famílias carentes — R$ 640,1 milhões de R$ 755,8 milhões — à Associação Um Milhão de Cisternas para o Semiárido (P1MC), entidade ligada a filiados do PT. A ONG, com integrantes vinculados ao partido desde 1987, recebeu o maior repasse em 22 anos. O ministério negou que vínculos políticos influenciaram a escolha, afirmando que o processo seguiu critérios técnicos.

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A P1MC subcontrata outras organizações para executar as obras, sem exigir licitação. Um levantamento feito pelo O Globo, identificou 37 ONGs subcontratadas com ligações ao PT, que receberam R$ 152 milhões (33,9% do total). Entre elas, a Cooperativa para o Desenvolvimento Rural e Sustentável da Agricultura Familiar do Piauí (Cootapi), comandada por ex-integrantes do governo do ministro Wellington Dias (PT), recebeu R$ 9 milhões. A cooperativa não respondeu aos questionamentos.

Em Aracati (CE), a Comtacte, subcontratada por R$ 4,6 milhões, é presidida por um petista ex-assessor de prefeito da região. No endereço registrado, há apenas uma casa simples. Em Pernambuco, o Cecor, liderado por ex-assessora de deputado estadual do PT, recebeu R$ 6,4 milhões. Nenhuma das entidades respondeu à reportagem.

Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que 31% das cisternas vistoriadas entre 2020 e 2022 tinham defeitos, como vazamentos, e 10% estavam inutilizáveis. O documento também destacou a concentração de recursos na P1MC, mas considerou os riscos “controlados”.

O programa, criado no primeiro governo Lula, teve recursos reduzidos durante o mandato de Jair Bolsonaro. A meta atual é investir R$ 1,5 bilhão até 2026. Wellington Dias, ao assumir o ministério, revisou contratos da gestão anterior após denúncias de cobranças ilegais a famílias por uma ONG em Minas Gerais.

Especialistas criticam a terceirização das obras. Guilherme France, da Transparência Internacional, alertou: “Contratações de quase R$ 700 milhões exigem programas de integridade efetivos para evitar conflitos de interesse”.

Em fevereiro, a imprensa revelou que o ministério repassou R$ 5,6 milhões a uma ONG de ex-assessor do PT para distribuir quentinhas. O serviço, terceirizado a entidades ligadas a petistas, foi suspenso após denúncias de que os alimentos não chegavam aos necessitados. A PF, o TCU e a CGU investigam o caso.

 

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