A disputa entre a J&F Investimentos, dona da JBS, e a indonésia Paper Excellence pela Eldorado Brasil Celulose é um retrato cruel das mazelas do ambiente de negócios brasileiro.
O que começou em 2017, com a venda de parte da Eldorado por R$ 15 bilhões, transformou-se numa batalha de quase uma década, repleta de litígios, acusações e decisões judiciais suspeitas.
O desfecho, em maio de 2025, com a J&F recomprando a fatia vendida por US$ 2,7 bilhões, veio logo após a JBS obter autorização para listar suas ações na Bolsa de Nova York.
Tudo começou quando os irmãos Batista, pressionados após confessarem propinas a quase 2.000 políticos na Lava Jato, venderam 49,41% da Eldorado à Paper Excellence, com promessa de transferir o restante em um ano.
Mas a J&F tentou desfazer o negócio em 2018, alegando descumprimento contratual, enquanto a Paper acusava os brasileiros de quererem lucrar mais com a valorização da celulose.
A briga virou um circo jurídico, com arbitragens internacionais e decisões contraditórias.
Em 2023, o Incra jogou lenha na fogueira, declarando a venda ilegal por suposta violação de regras sobre terras rurais. A J&F viu aí uma chance de anular o acordo, enquanto a Paper, respaldada por vitórias no exterior, lutava para assumir a empresa.
O vaivém de liminares e ações expôs o pior do Brasil: leis mal feitas ou mal aplicadas. Daí vigora a lei do mais forte. Mercado é selva. O fim da novela veio com um acordo judicial mediado pelo STF.
A lição é clara: sem segurança jurídica e um combate firme à corrupção, o Brasil seguirá preso a práticas que beneficiam poucos e prejudicam muitos.
