O enviado especial do governo Donald Trump para a América Latina, Mauricio Claver-Carone, alertou que o Brasil pode ser impactado por acordos comerciais entre China e Estados Unidos. Em evento com empresários e autoridades brasileiras em Nova York, ele defendeu que o país priorize os laços econômicos com os EUA.
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“O maior desafio para os investidores é o risco cambial. Gostamos de países dolarizados, embora eu não peça isso ao Brasil”, afirmou Carone. Ele também criticou a criminalidade, destacando o combate a organizações como o PCC, e a corrupção, que, segundo ele, prejudica a imagem do país. “Estamos trabalhando com o governo para enfrentar esses problemas”, disse.
Carone ainda lamentou a falta de visibilidade do Brasil no mercado financeiro: “Menos de 1% dos investidores sabe que o Brasil é a segunda maior economia do Hemisfério Ocidental; a maioria cita Canadá ou México”.
O americano destacou que o Brasil “deveria ser um país de primeiro mundo”, mas precisa superar os “três Cs”: câmbio, crime e corrupção. Ele expressou preocupação com o alinhamento brasileiro à China, maior parceiro comercial do país, embora os EUA sigam como principal fonte de investimento estrangeiro direto. Para Carone, o retorno desses investimentos no Brasil é baixo, e o foco em superávit comercial prejudica o país. “As economias de Brasil e EUA não são complementares, o que impede um acordo de livre comércio”, analisou.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, rebateu a tese de que há uma aliança automática com a China. “Isso é besteira”, afirmou. “Fazemos as coisas do nosso jeito, defendendo nossos interesses.”
Carone também criticou a sustentabilidade da economia chinesa a longo prazo e sugeriu maior proximidade com o mercado americano. “Respeito o presidente Lula, mas vocês estão em Nova York porque este é o maior mercado de capitais do mundo. Queria que Lula estivesse aqui”, declarou. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, rebateu a ideia de uma aliança automática com a China. “Isso é bobagem. Defendemos nossos interesses, do nosso jeito”, afirmou.
Estavam presentes no evento os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO), Raquel Lyra (PE), Ibaneis Rocha (DF), Eduardo Leite (RS) e Cláudio Castro (RJ); além dos senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Irajá Abreu (PSD-TO) e dos deputados federais Pedro Lupion (PP-PR), Inaldo Bulhões (MDB-AL) e Dr. Luizinho (PP-RJ). O presidente da Câmara, Hugo Motta, também participou. Ele evitou críticas diretas. “Não será batendo boca com funcionário do governo americano que vamos resolver. O momento pede equilíbrio.”
Demitido em 2022 da presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) por manter um relacionamento com uma subordinada, Carone, filho de cubanos exilados na Flórida, foi nomeado por Trump com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. Conhecido pela postura linha-dura contra regimes como os de Venezuela e Cuba, ele articulou a política de “pressão total” contra Nicolás Maduro.