O delegado Allan Turnowski, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, foi preso nesta terça-feira (6), após se entregar à Corregedoria Interna da Polícia Civil, no Centro do Rio, por volta das 20h, segundo informações do O Globo. O mandado foi expedido no mesmo dia pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, após o Supremo Tribunal Federal restabelecer a prisão preventiva.
Turnowski é réu por organização criminosa. É acusado de envolvimento com o jogo do bicho, de receber propina e de atuar como agente duplo em favor dos contraventores Rogério de Andrade e Fernando Iggnácio. Ele sempre negou as acusações.
Preso em 2022 pelo Gaeco (Ministério Público do Rio), Turnowski foi solto por decisão do ministro Kassio Nunes Marques. À época, a investigação indicava que ele intermediava informações para beneficiar os bicheiros.
Segundo o Ministério Público, a atuação de Turnowski na segurança pública teria sido articulada pelo delegado Maurício Demétrio, condenado por obstrução de justiça. Transcrições de áudios mostram pedidos de apoio político ao então governador em exercício Cláudio Castro, que nomeou Turnowski em setembro de 2020.
Em um dos áudios, Turnowski afirma: “Guru, se ele me pegar, ele vai te pegar, Guru. Tem que me proteger por você! Me esquece! Porra, tá maluco? Nós somos um CNPJ, um CPF só! Irmãos de embrião!”. Maurício responde: “Farei tudo o que estiver ao meu alcance”.
Durante sua gestão, ocorreu a chacina do Jacarezinho, em maio de 2021, que deixou 27 mortos. Depois disso, foi implantado o projeto Cidade Integrada, com ocupação policial na comunidade. Turnowski declarou que a ação era “um projeto grandioso, desafiador, que o governador Cláudio Castro confiou às suas polícias a responsabilidade de retomar o território e mantê-lo no domínio do Estado”.
Turnowski deixou o cargo para disputar uma vaga de deputado federal pelo PL, legenda de Jair Bolsonaro e Cláudio Castro. Durante a campanha, usou o slogan: “Sem tolerância com a corrupção”. Não foi eleito, mesmo após sair da prisão poucos dias antes do pleito. Recebeu pouco mais de 18 mil votos.
A defesa de Turnowski informou que “vai interpor embargos de declaração no próprio STF e novo habeas corpus porque alguns temas foram omitidos, especialmente o fato do processo estar paralisado há quase um ano em diligência requerida pelo MP e o mais importante, que todas as medidas alternativas foram cumpridas na integralidade, incorrendo qualquer incidente”.
Relações com Demétrio e Lessa
A prisão de Turnowski em 2022 foi um desdobramento das investigações contra Maurício Demétrio. A análise de 12 celulares apreendidos com Demétrio revelou um esquema de corrupção e influência na segurança pública. De acordo com o MP, Turnowski agia de forma velada em favor do grupo de Fernando Iggnácio.
Turnowski também teve ligação com o sargento reformado Ronnie Lessa, acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. Ambos atuaram juntos na Polícia Civil. Investigações apontam que Lessa e Rogério de Andrade mantinham uma sociedade em casas de aposta na Barra da Tijuca.
Mensagens extraídas do celular de Lessa citam Turnowski. Em uma delas, o inspetor Vinícius Lima afirma: “dr. Allan manda um abraço”. Em outra, diz que o delegado havia perguntado por Lessa e menciona uma proposta de trabalho. Vinícius trabalhou como chefe de operações de Turnowski por anos.
Turnowski foi chefe de Polícia entre 2010 e 2011, no governo Sérgio Cabral. Deixou o cargo após suspeitas de vazamento da Operação Guilhotina. Chegou a ser indiciado por violação de sigilo funcional, mas o caso foi arquivado por falta de provas.
Antes de reassumir a chefia da Polícia Civil em 2020, comandava o Departamento Geral de Polícia da Capital. Ao sair do cargo, entregou um dossiê contra o delegado Cláudio Ferraz, seu desafeto, com acusações sobre arquivamentos suspeitos na Draco.
