Em meio à crise financeira enfrentada pelos Correios, o presidente da estatal, o advogado Fabiano Silva dos Santos, autorizou o envio de uma comitiva à China para visitar a sede do New Development Bank (NDB), o Banco dos BRICS, atualmente comandado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT). O objetivo da visita, ao que tudo indica, é tentar avançar na negociação de um empréstimo de R$ 3,8 bilhões que Santos quer injetar numa estatal que parece estar sendo usada em benefício do projeto de poder do PT. A gestão do advogado do Prerrogativas é marcada por um déficit descomunal, por operações suspeitas e contratos esquisitos.
Em entrevista à Folha, semanas atrás, ele anunciou a visita ao Brasil de uma comitiva chinesa e deu a entender que o empréstimo já estava certo, anunciando um plano ambicioso:
“Os recursos permitirão a construção de centros de operações modernos, automatizados e sustentáveis, a renovação da frota com veículos de baixa emissão de carbono e investimentos significativos em tecnologia. Nosso objetivo é garantir que os Correios ofereçam serviços cada vez mais modernos, eficientes e sustentáveis para a população brasileira, alinhados com os desafios globais e as demandas ambientais”, disse Fabiano à Folha, sem mencionar que o empréstimo é garantido com recursos do Tesouro Nacional.
Apesar do anúncio, este site mostrou que não havia e não há até o momento qualquer projeto que contemple uma linha de crédito exclusiva para os Correios. Mas, considerando que o NDB é comandado por Dilma, reconduzida com apoio de China e Rússia, tudo pode acontecer. Como nenhum banco hoje no Brasil tem coragem de emprestar dinheiro para uma estatal deficitária, o Banco dos BRICS parece se encaixar como uma luva.
A comitiva de segundo escalão, que deve permanecer na China até o dia 12 de abril, é formada por Renato Aparecido Rosa, superintendente Executivo da Diretoria de Governança e Estratégia; Marcelo Ramiro Pimentel Oliveira, chefe de Departamento da Diretoria de Operações; Nailton Alves de Oliveira, chefe de Departamento da Diretoria de Negócios; Victor Raphael Rocha Chaves, chefe de Departamento da Diretoria de Administração, e Juliana Picoli Agatte, diretora de Governança e Estratégia.
O PASSADO TE CONDENA
Na minha modesta opinião, conhecendo o passado de operações sinistras da turma que voltou ao poder, desconfio de que esse plano ambicioso de Fabiano Santos ficará pelo caminho como aquela ponte, sem as cabeceiras, que deveria ligar Tocantis e Pará; ou seja, mais um monumento à corrupção.
Percebam que o empréstimo, caso saia, servirá para cobrir compromissos que a estatal vem assumindo sem transparência e com objetivos questionáveis. É como se Fabiano Souza estivesse gastando tudo no cheque especial, certo de que o empréstimo cobrirá o rombo e a conta ficará para as próximas administrações.
Por isso, torna-se urgente a instalação da CPI dos Correios, para que se faça um pente-fino nas contas da estatal e impeça que dinheiro público escoe em contratos fechados sem licitação e até em sigilo, como o da criação de um marketplace anunciado dias atrás com uma tal de Infracommerce, empresa quase quebrada que trocou de comando há poucos meses, numa operação que parece casada.
A CPI é fundamental para se entender por que os Correios estão dando calote nas transportadoras, se sem elas não haverá o que entregar no marketplace; ou por que não paga mais o plano de saúde dos funcionários, já que funcionários doentes não trabalham. É preciso entender por que Santos licitou uma conta de publicidade de R$ 380 milhões, sem não há o que publicizar. Por que a pressa, querido?
Já deveria ser motivo de investigação uma gestão que fechou 2024 com um prejuízo de R$ 3,2 bilhões, liderando o ranking de estatais federais deficitárias. Mas é preciso entender como, mesmo deficitária, gastou-se R$ 38,4 milhões em patrocínios, sendo R$ 6 milhões para o festival Lollapalooza, frequentado por jovens que não mandam cartas, e mais R$ 4 milhões para a turnê “Tempo Rei”, do cantor Gilberto Gil, ex-ministro de Lula. Por que raios os Correios gastaram R$ 1,3 milhão patrocinando um evento de Lula com prefeitos?
O pior é que, apesar de a CPI já ter sido protocolada no Senado, Davi Alcolumbre não faz sua leitura para a instalação. Enquanto isso, usa um instrumento fundamental do Legislativo para barganhar espaço dentro da própria estatal, indicando o novo diretor de Negócios dos Correios. A essa hora, o sindicato já deveria ter convocado uma greve geral, mas parece que os sindicalistas estão do lado do patrão. Meses atrás, até fecharam uma parceria com o escritório do indefectível Kakay, também do Prerrogativas, para tentar reaver parte do dinheiro roubado do Postalis num passado recente.
Pelo visto, a próxima manifestação a tomar as ruas do país também vai ser colorida de amarelo, a cor da suada camisa dos brasileiros e dos nossos nobres carteiros.
