O ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, foi denunciado há pouco à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) por “falta de aceitação e tramitação, por parte do acusado, de mais de 60 solicitações de investigação e julgamento político contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)”.
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O documento, obtido em primeira mão por este site, foi encaminhado para Pedro Vaca Villarreal, Relator Especial sobre Liberdade de Expressão da CIDH.
De acordo com os signatários da denúncia, a atitude do senador “constitui uma grave violação da Constituição brasileira e do devido processo legal e democrático, devidamente previsto na Constituição do Brasil (Inciso II, Artigo 52), além de representar um desrespeito à proteção dos direitos humanos e à independência dos poderes”.
“Assim, ao se recusar a iniciar qualquer processo ou designar uma comissão investigadora para apurar denúncias contra ministros do STF (Suprema Corte), o senador Rodrigo Pacheco violou expressamente a disposição constitucional mencionada anteriormente, impedindo o exercício do sistema de pesos e contrapesos que regula o equilíbrio entre os Poderes”, afirmam os autores.
Eles também apontam que o senador violou a Convenção Americana sobre Direitos Humanos ao negar “aos cidadãos brasileiros o direito fundamental de acesso à justiça e à proteção judicial”.

“Existem numerosos casos documentados de violação dos direitos fundamentais de políticos, jornalistas, comediantes, atores, líderes indigenistas, líderes religiosos e cidadãos comuns, muitos dos quais foram reportados e denunciados ao Senado do Brasil”, diz outro trecho da denúncia.
O documento aponta abusos do STF, como a censura à revista Crusoé por ligações do ministro Dias Toffoli com “uma empresa investigada por escândalos de corrupção”. Também menciona o caso do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, que pediu asilo nos EUA por perseguição política.
“A falta de investigação por parte do Senado das autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF) não é um caso isolado, mas sim parte de um cenário de degradação da democracia e perseguição política seletiva, onde opositores ao governo enfrentam processos judiciais, enquanto as denúncias contra ministros e outras autoridades são sistematicamente ignoradas”, continua a denúncia.
Os responsáveis solicitam que Pacheco seja questionado pela CIDH sobre sua omissão. Também solicitam ao governo brasileiro esclarecimentos sobre a falta de ação e medidas para corrigir falhas no Senado.