O protesto de Tereza Vale, mãe de um exilado dos atos de 8 de janeiro, durante um evento do Republicanos nesta sexta-feira (21), expôs o descaso do partido a uma mãe justamente em um evento voltado para mulheres. A jornalista Mariana Albuquerque, que cobria o evento, confirmou ao programa ALive de hoje que Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, ouviu claramente as críticas feitas pela mãe e que a organização do evento tentou contornar a situação.
“Ficou muita gente perguntando se o Hugo Motta de fato ouviu, ele ouviu, ele estava na frente, impossível ele não ter ouvido. A imprensa que estava no fundo do evento ouviu”, disse Mariana.
Segundo a repórter, Tereza estava muito próxima ao deputado quando o chamou de mentiroso, momento que rebateu a declaração do parlamentar de que não há mais perseguições ou exilados políticos no Brasil.
Após o protesto de Teresa, jornalistas que acompanhavam a cobertura foram retirados do evento junto com Tereza.
“Os jornalistas foram expulsos de dentro do evento junto com ela. Eu falei ‘gente, eu estou me sentindo uma mãe do 8 de janeiro também’, porque a gente foi expulso igual ela, assim, foi bem constrangedor”, relatou Mariana Albuquerque.
Mariana também conversou com Tereza sobre o filho, João Lucas, que foi preso durante as manifestações no Senado e posteriormente teve que se exilar.
“A Tereza disse que o João também chegou a dividir cela com o Clézão, que foi um dos presos do 8 de janeiro que morreu dentro da Papuda. Disse que ele saiu muito machucado de dentro da prisão, tanto emocionalmente quanto fisicamente, saiu muito magro, muito desnutrido, sofreu muito dentro da prisão”, afirmou a jornalista.
A luta das mães dos presos do 8 de janeiro
A repercussão desse protesto de Tereza jogou luz à situação de outras mães de presos do 8 de janeiro. A advogada e cientista política Carol Sponza destacou a dificuldade que essas mulheres enfrentam.
“Essas mães, tanto as presas, quanto as mães de presos, não têm a quem recorrer. O Judiciário elas não vão recorrer. Então, elas estão sempre no Congresso, tentando falar com os parlamentares”, afirmou.
Por fim, Carol ressaltou a falta de apoio às famílias dos presos, que ficam sem ter a quem recorrer e citou o caso da esposa e duas filhas do Clezão, que foram às manifestações no último domingo clamar por anistia aos condenados pelos atos do 8 de janeiro.
“É muito triste as famílias dos presos, elas não têm com quem falar. A gente viu no ato aqui em Copacabana a esposa e as duas filhas do Clezão. Eu acho que todos nós que estamos na trincheira estamos sujeitos a isso”, finalizou Carol.
Assista ao programa na íntegra:
