Houthis do Iêmen: Entenda quem é o grupo alvo dos EUA - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Houthis do Iêmen: Entenda quem é o grupo alvo dos EUA

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Por Redação

O presidente Donald Trump ordenou novas ofensivas militares contra os Houthis, grupo rebelde iemenita apoiado pelo Irã. A justificativa foi conter a “campanha implacável de pirataria, violência e terrorismo contra navios, aeronaves e drones americanos e de outros países”.

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O conflito se intensificou desde 2022, quando os Houthis passaram a atacar navios comerciais americanos. A escalada ocorreu em 2023, após a guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza. Em solidariedade à causa palestina, o grupo lançou mais de 100 ataques a embarcações, incluindo drones e mísseis, afundando dois navios e matando quatro marinheiros. A ofensiva paralisou o transporte marítimo global, forçando rotas alternativas mais longas e caras pelo sul da África.

A administração Biden tentou conter os ataques com bombardeios direcionados, mas falhou. “A abordagem do governo Biden aos Houthis era pateticamente fraca, então os Houthis desenfreados continuaram”, declarou Trump. “SEU TEMPO ACABOU, E SEUS ATAQUES DEVEM PARAR, COMEÇANDO HOJE. SE NÃO PARAREM, O INFERNO FARÁ CHOVER SOBRE VOCÊS COMO NADA QUE JÁ VIRAM ANTES!”

O Irã, principal aliado dos Houthis, lançou cerca de 200 projéteis contra Israel, em apoio à milícia iemenita. O porta-voz houthi, Mohammed Abdulsalam, celebrou o ataque, afirmando que “deter a entidade sionista e confrontá-la é a única maneira de impedi-la de escalar seu crime bárbaro contra o povo libanês e palestino e o resto da região”.

Os Houthis, conhecidos como Ansarallah (Apoiadores de Deus), surgiram nos anos 1990, com o movimento religioso “Believing Youth” (Juventude Crente), liderado por Hussein al-Houthi. Inicialmente apoiados pelo presidente iemenita Ali Abdullah Saleh, tornaram-se inimigos após a invasão do Iraque pelos EUA, em 2003. Al-Houthi foi morto em 2004, mas o movimento cresceu, assumindo o controle do norte do Iêmen e, em 2014, a capital Sanaa.

Com apoio do Irã, os Houthis ampliaram seu arsenal para drones de longo alcance e mísseis balísticos. “Morte aos Estados Unidos, morte a Israel” é o lema do grupo, que se declara defensor dos palestinos e inimigo do Ocidente. O apoio militar ao Hamas e a hostilidade contra Israel garantem apoio interno e desviam a atenção da crise humanitária no Iêmen, onde a população exige serviços públicos e salários atrasados.

A ofensiva americana visa proteger o comércio internacional e a segurança de Israel. No entanto, como alertou o pesquisador Yoel Guzansky, do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Tel Aviv, os Houthis buscam “uma participação maior no Iêmen” ao se tornarem “um problema global”.

A escalada de violência no Oriente Médio coloca os EUA em confronto direto com Teerã, que integra os Houthis ao seu “Eixo de Resistência”, ao lado do Hamas e do Hezbollah. O governo israelense descreve os Houthis como “representantes iranianos com a autoconsciência de vilões de desenhos animados”.

Enquanto Washington intensifica os ataques, o Iêmen continua fragmentado, com os Houthis controlando o norte do país e o governo reconhecido internacionalmente exilado em Aden, sob proteção saudita. O cenário se agrava com o apoio regional do Irã, que fortalece o arsenal houthi, ampliando a ameaça à paz e à segurança global.

**Com informações da Reuters e da AFP

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