Apesar do recorde de empregos formais e do menor nível de desemprego da história em 2024, a informalidade ainda predomina em algumas regiões do Brasil. Em 7 Estados, mais da metade dos trabalhadores não possui carteira assinada. Os dados são da Pnad Contínua trimestral do IBGE, compilados pelo pesquisador Rodolpho Tobler, do FGV Ibre, a pedido do jornal O Globo.
Especialistas consultados pelo jornal apontam que fatores como baixa remuneração em vagas formais, especialmente para postos que exigem menor qualificação, além da busca por maior flexibilidade de horários e a distância do local de trabalho, contribuem para o prosseguimento da informalidade.
Outro fator relevante, de acordo com os especialistas, é a redução da diferença de rendimento entre trabalhadores formais e informais. Em 2015, os empregados com carteira assinada ganhavam, em média, 73% a mais do que os informais. No fim de 2024, essa diferença caiu para cerca de 31%, segundo os dados do IBGE compilados por Tobler.
Os estados do Pará, Piauí, Maranhão, Ceará, Amazonas, Bahia e Paraíba registram taxas de informalidade superiores a 50% desde o início da série histórica do IBGE. Em 2020, a Bahia e a Paraíba chegaram a apresentar índices menores, entre 47% e 48%, mas o movimento foi reflexo da pandemia da Covid-19 e não de uma melhora estrutural no mercado formal.
Na Bahia, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado atingiu 1,8 milhão no fim de 2024 — o maior em 10 anos. Ainda assim, 51,4% dos ocupados estavam na informalidade. Já no Pará, mesmo com o emprego formal no maior nível desde 2012, a taxa de informalidade foi de 58,1%. Na Paraíba, as vagas formais cresceram 15,1%, mas 50,6% dos trabalhadores ainda atuavam sem carteira assinada.
Em contrapartida, Santa Catarina (SC), que também registrou recorde de empregos formais, apresentou a 2ª menor taxa de informalidade da série histórica do IBGE. Segundo Tobler, o desempenho positivo da indústria no Estado contribuiu para essa redução.
O DF atingiu o maior nível de empregos formais no último ano, enquanto Mato Grosso do Sul (32,7%), Mato Grosso (32,9%) e Goiás (36,5%) registraram baixas taxas de informalidade. Analistas explicam que esses estados possuem maior renda per capita e economias mais desenvolvidas, enquanto o DF tem um alto percentual de servidores públicos.
Por outro lado, o Rio de Janeiro (RJ) segue na contramão da tendência nacional. Desde 2017, a informalidade no estado está em alta, alcançando 38,3% em 2024.
