Os contratos de publicidade de ministérios, bancos e estatais no governo Lula (PT) podem atingir R$ 3,5 bilhões neste ano, impulsionados por novas licitações. O aumento ocorre enquanto o presidente tenta reverter a queda de popularidade. Em janeiro, Lula trocou o comando da sapós criticar a comunicação do governo.
O petista quer ampliar a divulgação de programas como o “Pé-de-Meia” e o “Mais Acesso a Especialistas”. Órgãos do governo alegam que a expansão publicitária melhora a transparência, mas os valores ultrapassam os patamares do governo anterior.
Atualmente, há quatro licitações em andamento, somando cerca de R$ 700 milhões. A maior disputa é a dos Correios, com um contrato de R$ 380 milhões. A estatal, que desde 2019 não investia em propaganda, agora quer “reposicionar a marca” para competir com gigantes do setor de encomendas.
O contrato dos Correios fica atrás apenas do Banco do Brasil (R$ 750 milhões), Secom (R$ 562,5 milhões) e Caixa (R$ 468,1 milhões). No fim do governo Bolsonaro, os contratos somavam R$ 2,5 bilhões (corrigidos pela inflação), incluindo as contas da Eletrobras e Chesf, privatizadas em 2022.
A Petrobras, por exemplo, renovou um contrato de R$ 474,25 milhões em janeiro de 2025, ampliando os gastos publicitários da estatal. Outros órgãos, como o Inmetro (R$ 40 milhões) e o Serpro (R$ 10 milhões), que não tinham histórico recente de investimento publicitário, passaram a gastar milhões em propaganda.
A destinação dessas verbas favoreceu os veículos do Grupo Globo, que voltaram a liderar a captação de publicidade federal, superando Record e SBT. Durante o governo Bolsonaro, a Globo chegou a ficar em terceiro lugar na distribuição de verbas.
O TCU apontou, em 2020, falta de critérios técnicos na alocação de recursos publicitários por Bolsonaro. Em 2023, o tribunal voltou a questionar a transparência dos contratos e determinou melhor estimativa de custos e retorno das propagandas.
A Secom argumenta que as campanhas informam a sociedade sobre políticas públicas. O MEC justificou o aumento da publicidade citando a “expansão das novas políticas educacionais” e a elevação do orçamento da pasta em 40% desde 2022.
A Caixa alegou necessidade de se manter competitiva no setor bancário. O Banco do Brasil afirmou que sua publicidade gera retorno financeiro e fortalece a marca. O Inmetro e o Serpro defenderam as campanhas como ações preventivas e educativas.
O aumento expressivo dos gastos em publicidade reforça a estratégia do governo Lula de investir pesadamente na comunicação, em meio à crise de popularidade e ao desgaste político do terceiro mandato.
