Os deputados da oposição pediram explicações sobre um rombo bilionário na Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ). O fundo de pensão, que administra cerca de R$ 200 bilhões, registrou um déficit de R$ 14 bilhões em 2024 e entrou na mira do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou uma auditoria para investigar as perdas. Alguns deputados já começaram a articular a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para aprofundar o caso, enquanto o governo tenta se descolar do escândalo.
Os pedidos de informação foram apresentados pelos deputados Mendonça Filho (União-PE) e Chris Tonietto (PL-RJ), que acionaram o Ministério da Previdência Social. Já a deputada Daniela Reinehr (PL-SC) cobrou esclarecimentos do Ministério da Fazenda. Apesar da pressão, os requerimentos ainda dependem que haja aprovação da Mesa Diretora da Câmara, comandada pelo deputado Carlos Veras (PT-PE), o que pode atrasar ou até barrar as investigações.
No centro da crise está a gestão de João Fukunaga, presidente da Previ, indicado pelo Banco do Brasil e próximo a setores alinhados ao governo Lula. O deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC) voltou a pedir seu afastamento, alegando falta de preparo e responsabilizando-o pelo rombo bilionário.
“A indicação do Fukunaga não era acompanhada de capacitações necessárias para uma boa gestão, para a governança financeira desse fundo ou de uma outra empresa. E agora nós estamos constatando, infelizmente, isso. O Tribunal de Contas está fazendo seu papel. No ano passado ele não aceitou meu pedido de afastamento do Fukunaga, mas, mesmo assim, abriu uma auditoria para fiscalizar com lupa a governança da Previ”, disse Goetten.
Apesar das suspeitas e da pressão crescente, a Previ insiste que seus planos continuam equilibrados. Em nota, a instituição justificou que a volatilidade do mercado foi um fator determinante para as perdas, mas que não há “risco de equacionamento, nem de pagamento de contribuições extraordinárias pelos associados ou pelo Banco do Brasil”. No entanto, o alto grau de exposição do fundo à renda variável, especialmente em ações da Vale, tem feito os parlamentares questionarem sobre os critérios adotados pela atual gestão.
