Governo Lula diz ver anúncio de Ortega com "preocupação"
Brasília, Quinta, 23 de julho de 2026
Mundo

Após quatro dias, governo Lula diz ver anúncio de Ortega com “preocupação”

Itamaraty pediu que Nicarágua garanta eleições livres após presidente afirmar que país não terá novos pleitos

Lula cumprimenta o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no Palácio Itamaraty
Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O governo do presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira (23) ver com “preocupação” o anúncio feito pelo presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, de que o país não realizará mais eleições para escolha de governantes. A manifestação ocorreu quatro dias após a declaração do líder nicaraguense.

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Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty fez um apelo às autoridades da Nicarágua para que assegurem a realização de eleições livres e democráticas no país.

Segundo o comunicado, “a realização de eleições livres, periódicas, plurais e transparentes é um dos esteios da democracia, valor com que o Brasil tem um profundo compromisso”.

O governo brasileiro também afirmou que “conclama as autoridades do país, por isso, a assegurarem ao povo nicaraguense o livre exercício do direito soberano de escolha dos seus governantes”.

A declaração de Ortega ocorreu no último domingo (19), durante um comício em Manágua em celebração aos 47 anos da Revolução Sandinista. Na ocasião, o presidente afirmou que partidos de oposição não voltariam ao poder por meio de eleições.

“Não pensem que porque não há guerra, estamos em paz. Eles continuam conspirando, conspirando, acabou a história de que partidos colocados pelos ianques, colocados pelos somozistas, voltarão ao governo. Jamais, jamais, jamais”, declarou.

Ortega também acusou opositores de tentarem utilizar processos eleitorais para assumir o controle do país. A Nicarágua tem eleições presidenciais previstas para 2027.

Histórico de proximidade

A manifestação do governo brasileiro ocorre após anos de aproximação política entre Lula e Ortega, marcada por posições semelhantes em temas internacionais e pela defesa da chamada autodeterminação dos povos.

Em 2021, durante a eleição presidencial da Nicarágua, o Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou uma nota em que classificou o pleito como “uma grande manifestação popular e democrática” e afirmou que o resultado representava o apoio da população ao projeto político liderado pelo governo sandinista.

O posicionamento gerou críticas após denúncias internacionais de repressão contra opositores do regime de Ortega. Dias depois, a nota foi retirada do site do partido. À época, a então presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que o texto não havia passado pela direção da legenda.

Também em 2021, Lula comentou a permanência de Ortega no poder e comparou a situação do líder nicaraguense ao período em que Angela Merkel esteve à frente do governo alemão.

“Temos que defender a autodeterminação dos povos. Sabe, eu não posso ficar torcendo. Por que que a Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder e Daniel Ortega não?”, afirmou Lula na ocasião.

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