Urgente: EUA confirma aplicação de tarifas a produtos do Brasil
Brasília, Quinta, 16 de julho de 2026
Economia

Urgente: EUA confirma aplicação de tarifas a produtos do Brasil

Carne bovina, frango e café ficam fora da nova cobrança anunciada por Washington

Foto: Reprodução

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O governo dos Estados Unidos oficializou agora há pouco (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A medida foi adotada pelo presidente Donald Trump após recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

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A confirmação foi feita pelo representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer. Segundo ele, a lista completa dos produtos atingidos será publicada nas próximas horas no Federal Register, equivalente ao Diário Oficial norte-americano. Greer informou ainda que café, carne bovina e carne de frango ficarão fora da nova taxação.

“O presidente tomou a decisão de tomar ação responsiva”, disse Greer.

As exceções representam um alívio para parte do agronegócio brasileiro. Os Estados Unidos dependem das importações de carne bovina do Brasil para complementar a oferta destinada à indústria de processamento. No caso do café, entidades do setor norte-americano argumentaram que o país não dispõe de fornecedores capazes de substituir, em volume e qualidade, a produção brasileira no curto prazo.

Os Estados Unidos são o principal destino do café exportado pelo Brasil. Entre janeiro e junho deste ano, o mercado americano respondeu por cerca de 17% das vendas externas do produto, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Na carne bovina, os EUA ocupam a segunda posição entre os maiores compradores do produto brasileiro, atrás apenas da China.

Durante as audiências públicas promovidas pelo USTR, entidades como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) optaram por não participar das discussões, diante da avaliação de que as carnes não seriam incluídas entre os produtos tarifados.

A medida decorre de uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O processo teve início após o anúncio, em julho de 2025, da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.

No início de junho, o USTR propôs uma tarifa adicional de 25% sobre importações brasileiras após concluir que políticas do governo brasileiro em áreas como comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes, pirataria, etanol e combate ao desmatamento ilegal criariam obstáculos ao comércio norte-americano.

No relatório, o USTR afirmou que o Pix funciona como um “campeão nacional” que “promove condições desleais de competição no comércio eletrônico”. O órgão também defendeu que empresas dos Estados Unidos tenham acesso aos mesmos regimes tarifários preferenciais concedidos pelo Brasil a países como México e Índia.

Sobre o desmatamento, Greer reconheceu a existência de legislação brasileira para combater atividades ilegais, mas afirmou que a investigação apontou falhas na aplicação dessas normas. Em relação ao etanol, disse que o mercado brasileiro permanece fechado ao produto norte-americano.

Segundo o representante comercial, a decisão busca “eliminar as práticas desleais de comércio investigadas”. Ele afirmou ainda que Washington permanece aberta ao diálogo.

“a porta certamente está aberta. […] Não é segredo o que queremos”.

Greer também declarou que os Estados Unidos poderão reavaliar a medida caso o Brasil responda com retaliações.

“Não é de interesse de ninguém que ocorram retaliações”, disse.

Antes da confirmação do tarifaço, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo avaliava retomar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica caso a nova cobrança fosse oficializada.

“A gente chegou a suspender a tramitação do processo de reciprocidade, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás no tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade”, afirmou.

Mais cedo, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda divulgou avaliação de que a nova rodada de tarifas deverá produzir impacto reduzido sobre a economia brasileira.

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