O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (15) que não mantém mais relação com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em entrevista ao Flow Podcast, o parlamentar disse que o rompimento não decorre das recentes restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) às visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e defendeu que divergências internas sejam superadas em nome da campanha eleitoral.
A declaração ocorre após o desgaste público entre os dois, iniciado no fim de junho, quando Michelle divulgou vídeos nas redes sociais afirmando que foi desrespeitada e maltratada pelo enteado durante uma discussão sobre articulações políticas no Ceará. O episódio expôs uma crise na família Bolsonaro e no PL.
“Hoje eu já não tenho relação com ela. Isso não começou agora, por causa da proibição de falar com o meu pai. Eu ia à casa dele de vez em quando, mas hoje não tenho mais relação”, afirmou.
Segundo Flávio, sua prioridade é conduzir a pré-campanha presidencial e cumprir a missão que, segundo ele, recebeu do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Sempre tive muito claro que estou em uma missão que o próprio presidente Bolsonaro me deu. Acredito que esse é um projeto de Deus para o nosso país”, declarou.
Apelo por unidade
Apesar de confirmar o afastamento, o senador afirmou que pretende manter as portas abertas para todos os aliados que desejarem participar da campanha.
“Espero que em algum momento todo mundo compreenda que o inimigo do Brasil está do lado de lá, não está aqui. Quem quiser se engajar na campanha de corpo e alma será sempre bem-vindo”, disse.
Flávio afirmou que nunca tentou impedir a participação de Michelle na campanha e que cada aliado deve decidir o momento de se integrar ao projeto.
“Quem quiser vir agora, venha. Quem achar melhor vir depois, venha depois. O importante é estarmos juntos.”
Vídeo de Michelle
Questionado sobre o vídeo divulgado pela ex-primeira-dama, Flávio disse que optou por não assisti-lo.
“Eu não vi o vídeo. Sei do teor pelas notícias, mas preferi não assistir para não me contaminar”, afirmou.
Segundo o senador, não houve qualquer estratégia combinada em torno da divulgação das declarações de Michelle.
“Não teve jogo combinado. Não teve nada disso.”
Foco na campanha
Durante a entrevista, Flávio afirmou que o momento exige concentração na disputa presidencial e não em conflitos internos.
Ele citou a situação jurídica de Jair Bolsonaro, a permanência de Eduardo Bolsonaro no exterior e críticas ao governo Lula para defender que o grupo político concentre esforços na eleição.
“O Brasil está em risco. A eleição está muito próxima e não temos tempo para perder com divergências.”
O senador também afirmou que sempre respeitou a relação entre Jair Bolsonaro e Michelle.
“Ela é a esposa do meu pai. Sempre respeitei isso. Jamais faria alguma coisa para desagradar o meu pai.”
“Engolir sapos”
Ao comentar os bastidores da pré-campanha, Flávio afirmou que divergências fazem parte da atividade política e disse estar acostumado a ceder em diversas situações.
“Na política, a gente senta, conversa e engole muito sapo. Faz parte de uma pré-candidatura à Presidência da República”, declarou.
Ao encerrar o assunto, o senador voltou a defender a união dos aliados.
“Seguindo a última carta do presidente Bolsonaro, qualquer divergência precisa ficar de lado agora. Ou o Brasil tem um novo governo a partir de janeiro do ano que vem, ou a situação vai ficar muito difícil para todo mundo”, concluiu.