PL quer barrar supersalários em comitê tributário
Brasília, Sexta, 17 de julho de 2026
Política

PL quer barrar supersalários em comitê tributário

Proposta de Júlia Zanatta proíbe pagamentos acima do teto, veta jetons e amplia exigências de transparência no Comitê Gestor do IBS

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O Partido Liberal (PL) apresentou um projeto para impedir o pagamento de supersalários e benefícios extras aos integrantes do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS), órgão responsável pela administração do novo tributo criado pela reforma tributária. A proposta, de autoria da deputada Júlia Zanatta (PL-SC), proíbe remunerações acima do teto constitucional, veta o pagamento de jetons e estabelece novas regras de transparência e controle sobre os gastos do colegiado.

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O texto altera a Lei Complementar nº 227/2026 para determinar que a soma de todos os rendimentos recebidos pelos dirigentes, conselheiros e servidores do Comitê Gestor, incluindo a remuneração paga pelos órgãos de origem, não poderá ultrapassar o teto do funcionalismo público, hoje equivalente ao subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Proibição de jetons e gratificações

Além do limite remuneratório, a proposta proíbe o pagamento de jetons, gratificações de presença e qualquer remuneração adicional vinculada à participação em reuniões, sessões, comissões ou grupos de trabalho.

A vedação alcança os membros do Conselho Superior, a Diretoria Executiva, corregedores, auditores, julgadores e servidores cedidos ao Comitê Gestor. O projeto mantém apenas o ressarcimento de despesas efetivamente comprovadas com viagens e hospedagens realizadas a serviço.

Segundo a justificativa da parlamentar, integrantes do órgão poderiam receber gratificações de até R$ 32 mil, adicional indenizatório de 30%, parcela transitória de até R$ 16 mil, cerca de R$ 6,8 mil em auxílios e jetons que poderiam alcançar R$ 46 mil mensais, além da remuneração já recebida pelos cargos de origem.

“Durante a discussão da reforma tributária, os brasileiros foram enganados com uma promessa de simplificação. Agora, antes mesmo de o novo sistema estar plenamente funcionando, já querem criar uma verdadeira zona franca de supersalários. O contribuinte não pode pagar duas vezes pelo mesmo trabalho”, afirmou Júlia Zanatta.

Transparência e limite para gastos

O projeto também determina que o Comitê Gestor divulgue mensalmente, de forma nominal e individualizada, todas as remunerações, gratificações, diárias, passagens e verbas indenizatórias pagas aos seus integrantes.

Além disso, qualquer ato que crie ou altere benefícios deverá ser publicado com antecedência mínima de 60 dias e encaminhado aos Tribunais de Contas e às comissões competentes do Congresso Nacional.

Outra medida prevista limita a despesa total com pessoal do Comitê Gestor a 50% de sua receita orçamentária anual. O texto ainda estabelece que pagamentos realizados em desacordo com a lei deverão ser devolvidos integralmente e prevê responsabilização administrativa, civil e penal dos agentes que autorizarem despesas irregulares.

Na justificativa do projeto, a deputada afirma que a reforma tributária foi aprovada com a promessa de simplificar o sistema tributário e reduzir custos para o contribuinte, mas argumenta que a estrutura criada para administrar o novo imposto não deve servir para ampliar benefícios remuneratórios.

“Cada real gasto com privilégios no Comitê Gestor é um real retirado dos Estados e Municípios, que precisam investir em saúde, educação e segurança. Quem administra o dinheiro dos impostos deve dar o exemplo, e não aproveitar a reforma tributária para aumentar o próprio salário.”

Segundo a justificativa apresentada, os recursos destinados ao Comitê Gestor pertencem aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios, razão pela qual a proposta busca limitar despesas com pessoal, impedir pagamentos em duplicidade e reforçar os mecanismos de fiscalização e publicidade sobre os gastos do órgão.

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