O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, afirmou que o partido não deverá lançar candidato próprio à Presidência da República nas eleições de 2026. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, divulgada nesta quarta-feira (8), o parlamentar disse que a decisão faz parte de uma estratégia para reorganizar a legenda e construir uma candidatura competitiva para 2030.
“Olha, depois de muitas conversas internas, tenho que afirmar, em primeiro lugar, que o PSDB caminha para não ter candidatura própria nesta eleição. Isso foi cogitado há pouco tempo.”
Segundo Aécio, seu próprio nome chegou a ser considerado, assim como o do ex-governador do Ceará Ciro Gomes.
Estratégia mira 2030
Na entrevista, o dirigente tucano afirmou que o partido pretende utilizar o próximo ciclo eleitoral para reorganizar sua atuação política e fortalecer um projeto alternativo para a disputa presidencial seguinte.
A declaração ocorre em meio ao processo de reestruturação do PSDB, que perdeu espaço nas últimas eleições nacionais e busca redefinir sua estratégia para os próximos anos.
Segundo turno e polarização
Ao comentar um eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, Aécio afirmou que sempre manteve oposição ao PT, mas rejeitou classificar sua relação com Lula como de inimizade.
“Fui governador com o presidente Lula, mas eu fazia uma oposição conceitual a ele. Mas nunca fui inimigo do Lula. Acho que o governo do PT vem fazendo mal ao Brasil, porque se está de novo vendo que no PT virou o poder pelo poder.”
Ao falar sobre o outro campo político, o deputado afirmou compartilhar posições liberais na economia, mas criticou manifestações que, segundo ele, colocam em risco o regime democrático.
“Confesso que do outro lado poderia dizer até que eu tenho, do ponto de vista da economia, uma visão mais liberal, então é mais próxima ao que o Paulo Guedes pregou lá atrás.”
“Eu sou filho da democracia, eu começo minha trajetória lutando com a ditadura. Quando alguém flerta contra o regime democrático, flerta com autoritarismo, isso me incomoda.”
Críticas à polarização
Aécio também afirmou que o cenário político brasileiro permanece marcado pela divisão entre dois grupos e defendeu a construção de uma alternativa fora da polarização.
“Meu papel hoje, repito, ao retornar à presidência do PSDB, é dizer que existe vida inteligente entre os extremos e que nós vamos liderar um projeto para o Brasil.”
Cenário no Ceará
Durante a entrevista, Aécio mencionou que Ciro Gomes, cujo nome chegou a ser cogitado para disputar a Presidência pelo PSDB, pretende concorrer ao governo do Ceará.
O ex-governador busca retornar ao Palácio da Abolição e conta com apoio de setores do PL no estado, movimento que provocou divergências internas na legenda entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes ligados à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
