Jornalistas da EBC protestam contra retirada de conteúdos do ar
Brasília, Terça, 07 de julho de 2026
Brasil

Jornalistas da EBC protestam contra retirada de conteúdos do ar

Jornalistas da empresa pública afirmam que ação foi “censura”; Fenaj fala em ataque em autonomia e decisão sem “precedentes em outras eleições”

Foto: Foto: Reprodução/Instagram/Fenaj, Jornalistas DF e Valoriza EBC
Decisão é sem precedentes, de acordo com entidades de jornalistas Foto: Reprodução/Instagram/Fenaj, Jornalistas DF e Valoriza EBC

Compartilhe em

Foto do autor

Por Ândrea Malcher

Repórter especialista em Congresso Nacional

Jornalistas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que tirou do ar mais de 150 mil conteúdos da Agência Brasil, TV Brasil e Rádio Nacional sob a justificativa de ter iniciado o período de defesa eleitoral, em que o governo não pode promover suas entregas nos canais oficiais, protestaram, nesta terça-feira (7), em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. “Jornalismo público não é propaganda do governo”, diz uma das faixas.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A decisão envolveu publicações das redes sociais da EBC e, de acordo com a chefia da empresa pública, teria sido orientação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Consultoria Jurídica da EBC.

“A medida integra as ações coordenadas pelo Grupo de Trabalho (GT) das eleições 2026 da EBC e faz parte do processo de revisão preventiva dos canais institucionais da Empresa, com o objetivo de adequar seus conteúdos e meios de comunicação às normas eleitorais aplicáveis durante o período de restrições, assegurando a observância da legislação eleitoral, das normas internas e dos princípios que regem a comunicação pública”, afirma a EBC em comunicado.

Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) chamou a medida de censura e pontuou que “esta lamentável decisão afeta diretamente o direito à informação da população brasileira, ao censurar o jornalismo público realizado pelas emissoras da EBC nos últimos três anos e meio”.

“A decisão não tem precedentes em outras eleições e mostra um ataque direto à autonomia em relação ao governo determinada pela legislação que criou a EBC”, diz a entidade, cujo pronunciamento foi assinado pelos sindicatos dos jornalistas de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

A EBC é presidida pela cientista social Antonia Pellegrino, esposa do ex-deputado federal Marcelo Freixo (PT). Ela assumiu o cargo em abril, substituindo o jornalista André Basbaum, deslocado para fortalecer a comunicação do Planalto.

A Frente em Defesa da EBC, a FENAJ e os sindicatos de jornalistas do Distrito Federal, de São Paulo e do Rio de Janeiro informaram que estudam medidas judiciais para tentar reverter a decisão da direção da empresa.

As entidades sustentam que a retirada dos conteúdos viola o direito constitucional à informação, desrespeita a Lei nº 11.652/2008, que instituiu a EBC, compromete a preservação da memória jornalística nacional e fere a autonomia editorial da comunicação pública prevista na legislação vigente.

Também está no radar das entidades a solicitação, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), dos pareceres jurídicos que fundamentaram a decisão da direção da empresa.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade