O governo Lula (PT) pagou R$ 33,89 bilhões em emendas parlamentares no ano de 2026. De acordo com dados do Siga Brasil, do Senado, até 4 de julho foram pagos R$ 33,89 bilhões em emendas parlamentares. A marca supera o total pago em 2022, também ano eleitoral, R$ 28,04 bilhões, como aponta reportagem do Estadão.
O valor é 75% maior que o total pago no ano passado, R$ 44,97 bilhões, além de representar um quarto das despesas livres do Orçamento, as discricionárias, aquelas que o Planalto tem liberdade para escolher como, quanto e quando gastar.
Na última sexta (4), três meses antes da eleição, iniciou o período de defeso eleitoral, quando ficam proibidas os pagamentos de emendas e outras transferências voluntárias da União. A medida é uma forma de evitar a desigualdade entre os candidatos. No entanto, obras em andamento e situações de calamidade.
Do total pago este ano, pelo menos R$ 24,5 bilhões foram pagos sem que os projetos e obras fossem concluídos e o dinheiro poderá ser gasto durante a campanha eleitoral.
Em 2019, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Congresso criou a emenda Pix, que facilita transferências não obrigando o autor da emenda a apontar a finalidade nos estados e municípios que recebem o recurso e, em 2024, os parlamentares aprovaram o pagamento antes do começo de obras e sem analisar projetos de até R$ 1,5 milhão, o que representa 90% dos repasses por meio de convênios e contratos da União com prefeituras, governos estaduais e empresas privadas.
Já neste ano, os parlamentares estabeleceram um calendário de pagamento prioritário de emendas no primeiro semestre, sancionado por Lula. O Congresso buscava um corte de gastos do governo, mirando no centro da meta fiscal, mas barganhou o aumento de gastos pelo calendário de pagamento e emendas. Desta forma, facilitou as transferências antes da eleição e gastos em meio às campanhas.
Do valor pago este ano, R$ 18,55 bilhões corresponde às emendas individuais, que são apontadas por cada deputado e senador; R$ 7,68 bilhões são de emendas de comissão, aprovadas pelos colegiados de ambas as Casas; e R$ 7,28 bilhões são de emendas de bancada estadual. Há, ainda, as sobras não liberadas do governo Bolsonaro do extinto Orçamento secreto, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de R$ 386 milhões.
Nas emendas de comissão, os colegiados de Saúde da Câmara e de Assuntos Sociais do Senado lideram os pagamentos: R$ 3,6 bilhões e R$ 1,8 bilhão, respectivamente. O senador Weverton Rocha (PDT-MA) lidera entre os parlamentares que mais teve emendas pagas, com R$ 88,85 milhões. Ele é pré-candidato à reeleição.
Atrás dele está o senador Carlos Fávaro (PSD-MT), ex-ministro da Agricultura de Lula e também pré-candidato à reeleição, co R$ 74,5 milhões.
