O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou que autorizou as apostas esportivas no Brasil como uma alternativa à pressão pela legalização dos cassinos. Segundo ele, a medida representou um “mal menor” e, hoje, não recebe seu apoio.
“Eu não aplaudo aquele meu ato. De vez em quando, eu recuava de certos decretos que eu elaborava, ou melhor, modificava decretos. […] Havia uma tentativa muito grande de instituir cassinos no país, e a resistência era muito grande. A fórmula intermediária que me pareceu adequada naquele momento foi autorizar? Um mal menor. Foi isso que me levou a assinar naquele período”, afirmou em entrevista ao UOL, publicada nesta segunda-feira (6).
A autorização para as plataformas de apostas esportivas ocorreu por meio de uma medida provisória editada em julho de 2018. No fim daquele ano, o texto foi convertido em lei. Embora a norma tenha criado o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), também instituiu a chamada loteria de prognósticos esportivos, modalidade em que o apostador prevê o resultado de eventos esportivos.
A legislação determinava que o Poder Executivo regulamentasse a atividade até 2020, por meio do Ministério da Fazenda. O prazo terminou durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sem a edição das regras complementares.
A regulamentação só avançou em julho de 2023, já no governo do presidente Lula (PT), com a publicação de uma medida provisória que passou a utilizar a denominação “apostas de quota fixa”. O texto perdeu a validade em novembro, mas um projeto de lei com o mesmo conteúdo foi aprovado pelo Congresso e sancionado em dezembro daquele ano.
Nos últimos meses, o governo federal passou a endurecer as regras para o setor. Entre as medidas adotadas estão restrições à publicidade das empresas de apostas, incluindo a proibição de campanhas que apresentem as bets como forma de investimento ou estilo de vida. Segundo o governo, as mudanças foram motivadas pelo impacto do vício em jogos sobre o orçamento das famílias e pelos indicadores de endividamento.