Durante o programa Alive, apresentado por Claudio Dantas no YouTube nesta segunda-feira (29), a advogada Carol Sponza, o analista Eli Vieira e o analista Ary Alcântara comentaram fatores que, na avaliação deles, podem influenciar o cenário eleitoral, como o custo de vida, os programas sociais e a mudança na forma de consumo de informação pelos brasileiros.
Carol Sponza afirmou que os programas sociais deixaram de produzir o efeito político observado em eleições anteriores. Segundo ela, parte do eleitorado passou a enxergar esses benefícios como políticas de Estado, independentemente de quem esteja no governo.
“O povo já entendeu que isso é uma política de Estado e não de governo. Vai mudar o presidente, eles vão continuar recebendo bolsa, mas vai mudar o presidente, precisa mudar o presidente para que eles consigam fazer com que o salário deles renda, na prática”, disse.
A advogada também afirmou que o aumento do custo de vida tende a ter maior peso na decisão do eleitor. De acordo com ela, trabalhadores enfrentam dificuldades para comprar itens básicos, apesar de permanecerem empregados.
“Essa eleição é a eleição da indignação. As pessoas estão revoltadas com o preço do carrinho do supermercado, estão revoltadas com o custo de vida, estão revoltadas porque estão pagando muito imposto e não recebendo absolutamente nada do governo”, declarou.
Para Carol, a maior parte da população busca ampliar sua renda por meio do trabalho, mas enfrenta perda do poder de compra.
“O quanto elas trabalham, o quanto elas produzem, não está conseguindo comprar o básico”, afirmou.
O analista Eli Vieira destacou que as redes sociais vêm ampliando o acesso da população à informação, embora considere que a televisão ainda exerça influência sobre parte do eleitorado. Segundo ele, a distribuição da publicidade oficial entre diferentes meios de comunicação também faz parte desse cenário.
Vieira avaliou ainda que candidatos menos conhecidos tendem a apresentar maior espaço para crescimento nas pesquisas de intenção de voto. Segundo ele, levantamentos agregados indicam movimentações que merecem acompanhamento ao longo da campanha.
“Pode ser que o Flávio passe. Isso aí é tudo intenção para o segundo turno. Existem muitos fatores diferentes em jogo”, afirmou.
Na avaliação do analista, a mudança gradual dos hábitos de informação dos brasileiros poderá influenciar o processo eleitoral.
“Há uma certa lentidão numa mudança de consciência do brasileiro, que está acontecendo também na mesma direção da mudança do regime de mídia, da velha mídia da TV para as novas mídias sociais”, disse.
Ary Alcântara afirmou que tem acompanhado pesquisas eleitorais e avaliou que o modelo histórico de clientelismo político vem perdendo força diante da ampliação do acesso à informação.
Segundo ele, as redes sociais alteraram a dinâmica da comunicação política e ampliaram o número de argumentos disponíveis aos eleitores.
“Esse clientelismo começa a perder força porque o conjunto de argumentos que está disponível às pessoas é muito maior agora. As pessoas estão tendo mais notícia dos fatos”, declarou.
Alcântara também afirmou que identifica uma mudança no comportamento do eleitorado em relação ao cenário político e disse observar um movimento de consolidação de parte do eleitorado em torno de Flávio Bolsonaro.
“O Flávio canaliza um sentimento que brotou no pai dele, no Jair Bolsonaro“, afirmou.
Durante a análise, o comentarista também avaliou a situação do Lula.
“O Lula é alguém que já não inspira confiança em absolutamente ninguém, nem aos seus próprios correligionários”, declarou.
