A Polícia Federal (PF) pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorização para investigar a vice-governadora de Pernambuco (PE), Priscila Krause (PSD), por causa de repasses de recursos públicos estaduais a um hospital que tem como sócio o empresário Jorge Branco Neto, marido da política. A informação é do jornal Vero Notícias, que teve acesso ao pedido.
Como detém prerrogativa de foro, a autorização do tribunal é necessária para o avanço das investigações. A PF pretende aprofundar as apurações sobre a destinação de recursos federais à Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco.
Embora seja uma unidade privada, o hospital atende pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e tem Jorge Branco Neto entre seus sócios.
O pedido foi formalizado por meio de um ofício assinado pelo diretor-geral substituto da PF, William Marcel Murad. No documento, a corporação informa que uma denúncia apresentada por deputados estaduais sobre possíveis irregularidades na aplicação de verbas do SUS foi incorporada ao procedimento investigativo de número 2025.0127684, já em andamento.
Segundo o Vero Notícias, Krause destinou R$ 3 milhões ao hospital durante períodos em que exerceu interinamente funções no comando da administração estadual. Ainda de acordo com a publicação, a unidade recebeu mais de R$ 25 milhões em recursos ao longo de 2025.
O caso também é alvo de auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), que apura suspeitas de superfaturamento em repasses feitos à instituição.
Em fevereiro de 2023, quando Krause substituiu a governadora Raquel Lyra pela primeira vez, foram creditados R$ 7,6 milhões ao Fundo Estadual de Saúde (FES), sendo parte desse montante proveniente de recursos federais. A prática se repetiu em abril de 2024, durante outro período de interinidade da vice-governadora, quando R$ 22,3 milhões foram destinados ao fundo.
Em março de 2025, os valores aumentaram e chegaram a R$ 69,1 milhões, conforme registros do Portal da Transparência.
Foi nesse mesmo ano (2025) que, entre os dias 14 e 29 de março, o Fundo Estadual de Saúde realizou 25 pagamentos ao hospital, totalizando R$ 3 milhões. No mesmo período, gestores das áreas de orçamento e projetos e de monitoramento jurídico de licitações da Secretaria de Saúde foram exonerados por ato assinado por Priscila Krause. Após a saída dos servidores, os pagamentos foram acelerados.
Em nota, a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro afirmou que presta serviços de alta complexidade à rede estadual de saúde há mais de 5 décadas. Segundo a instituição, ela “presta serviços de alta complexidade à rede estadual de saúde há 55 anos, tendo atuado durante as gestões de 15 governadores diferentes”.
O hospital também declarou que “todas as contratações foram realizadas dentro da legalidade, sem interferência política”, acrescentando que os contratos tiveram como objetivo “garantir atendimento à população pernambucana”.
A unidade afirmou ainda que passou por diferentes processos de fiscalização nos últimos anos. Em nota, informou que “nos últimos anos, a instituição foi submetida a diferentes auditorias e procedimentos de fiscalização de praxe, incluindo análises do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e do Denasus, sem que fossem apontadas irregularidades graves ou prejuízo ao erário”.
