A empresária Bonnie Bonilha, nora do senador Jaques Wagner (PT-BA), entrou no radar da Polícia Federal (PF) após a identificação de repasses milionários de empresas ligadas ao Banco Master para negócios associados a ela. Documentos da investigação apontam que companhias vinculadas ao grupo financeiro transferiram aproximadamente R$ 12 milhões para empresas da empresária entre 2022 e 2025.
Os pagamentos são analisados no âmbito da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18), que teve como um dos alvos o líder do governo no Senado. A apuração investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo pessoas ligadas ao banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.
Segundo os investigadores, a principal beneficiária dos repasses foi a BN Financeira, empresa ligada a Bonnie Bonilha. A Polícia Federal busca esclarecer se os valores recebidos correspondem efetivamente aos serviços contratados ou se a estrutura empresarial teria sido utilizada para movimentar recursos de origem ilícita.
Casada com Eduardo Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner e atual secretário de Meio Ambiente da Bahia, Bonnie mantém atuação em diferentes áreas profissionais. Em suas redes sociais, ela se apresenta como estudante de Psicologia, instrutora de ThetaHealing — técnica voltada ao desenvolvimento pessoal e meditação — e também como “artista floral por paixão”.
Além da BN Financeira, ela também está associada à BN Representações Tecnológicas, empresa voltada ao desenvolvimento e licenciamento de softwares.
Nos documentos da investigação, a PF afirma que a BN Financeira foi “constituída como microempresa, com capital social reduzido e aparente baixa capacidade operacional, apesar de ter recebido valores expressivos no contexto de supostos contratos com o Banco Master ou empresas a ele relacionadas”.
Apesar das suspeitas, a corporação não solicitou mandados de busca contra Bonnie. Os investigadores registraram que, “no atual estágio das apurações”, não foram identificados elementos suficientes para justificar diligências dessa natureza diretamente contra a empresária.
As buscas, no entanto, alcançaram endereços ligados a Eduardo Sodré. De acordo com a investigação, ele teria desempenhado um “papel ativo” na cobrança de pagamentos relacionados aos contratos firmados com empresas vinculadas ao grupo investigado.
Apartamento de luxo e supostas contrapartidas
A operação também apura suspeitas de benefícios concedidos ao entorno familiar de Jaques Wagner. Entre os pontos investigados está um apartamento de alto padrão em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, que, segundo a PF, teria sido adquirido em benefício da família do senador.
Os investigadores atribuem a negociação ao empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e um dos alvos da operação desta quinta-feira. Parte dos pagamentos relacionados às empresas da nora do senador também teria sido realizada por pessoas e empresas que aparecem na investigação.
A Polícia Federal sustenta que foram identificados “elementos indicativos de recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado”.
Em manifestações anteriores, Jaques Wagner negou ter atuado em favor do Banco Master. O senador afirmou que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”.
As empresas mencionadas no inquérito também negam irregularidades e afirmam que os serviços contratados foram efetivamente prestados.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e inclui medidas cautelares contra investigados, como restrições de contato e outras determinações destinadas a preservar o andamento das apurações.
