Na manhã desta quinta-feira (18), Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, é alvo da Polícia Federal (PF). A operação desta vez envolve o escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro. No entanto, anos antes, o petista já havia recebido a visita de agentes da corporação em outra investigação.
Em 2018, a Operação Cartão Vermelho foi até o ex-governador da Bahia. As apurações miravam fraude em licitações, superfaturamento, desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro nas obras da Arena Fonte Nova, estádio reconstruído em Salvador para a Copa do Mundo de 2014.
Um laudo pericial da PF estimou que o superfaturamento, corrigido, ultrapassaria R$ 450 milhões. Segundo a investigação, parte desses valores teria sido direcionada a propina e financiamento de campanhas eleitorais.
De acordo com a delegada Luciana Matutino, que esteve à frente da investigação do caso, “em razão das delações da Odebrecht e de material apreendido na OAS”, foi verificado que Wagner “recebeu boa parte do valor desviado do superfaturamento para pagamento de campanha eleitoral e de propina”. O montante atribuído ao petista chegaria a R$ 82 milhões.
Anos depois, o processo da Operação Cartão Vermelho acabou arquivado. O juiz federal Fábio Moreira Ramiro acolheu o entendimento do Ministério Público Federal (MPF), que apontou ausência de provas concretas para sustentar as acusações contra Wagner.
Em 2017, o petista foi citado nas delações de Carlos José Fadigas de Souza Filho e Marcelo Odebrecht, com acusações de corrupção passiva durante o governo na Bahia. O caso avançou e ele chegou a ser réu na Justiça Estadual da Bahia. Em registros internos da Odebrecht, ele teria sido identificado pelos codinomes “Passivo” e “Polo”.
Segundo o Ministério Público, em 2014 teria aceitado vantagem indevida de R$ 30 milhões da Construtora Norberto Odebrecht para viabilizar um acordo que extinguiria uma dívida da Companhia de Engenharia Hídrica e de Saneamento da Bahia com a empreiteira.
Entre os delatores que o citaram estão Nestor Cerveró, que apontou repasses ligados à campanha de 2006; Cláudio Melo Filho, que relatou atuação política em favor da empreiteira; Benedicto Barbosa da Silva Júnior, que detalhou o setor de pagamentos ilícitos; André Vital Pessoa de Melo, que citou repasses ligados a obras na Bahia; e José Aldemário Pinheiro Filho, o “Léo Pinheiro”, da OAS, que tratou de pagamentos no consórcio da Arena Fonte Nova.
