A relação entre o senador Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima é o eixo central da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura fraudes bilionárias no sistema financeiro envolvendo o Banco Master e conexões políticas na Bahia.
1. A Origem Comercial: O Sistema “Credcesta”
A ligação entre os dois começou a se desenhar no período em que Jaques Wagner era governador da Bahia.
- O Negócio: Augusto Lima adquiriu a antiga rede de lojas estatais baiana “Cesta do Povo” (por meio da privatização da Ebal) e, a partir disso, implementou um sistema de cartão de crédito e empréstimo consignado voltado exclusivamente para os cerca de 400 mil servidores públicos do estado da Bahia: o Credcesta.
- A Conexão com o Banco Master: Para fazer o Credcesta crescer, Augusto Lima aliou-se ao banqueiro Daniel Vorcaro. Lima tornou-se sócio do Banco Master e incorporou o Credcesta à instituição, transformando esse modelo de consignado baiano em um dos ativos financeiros mais lucrativos e importantes do banco.
2. A Investigação da PF e as Suspeitas de Propina
A Polícia Federal, sob a supervisão do ministro André Mendonça no STF, investiga se o sucesso e a exclusividade desses negócios na Bahia contaram com o favorecimento de Jaques Wagner em troca de vantagens indevidas.
- Suspeita de Imóvel de Luxo: A PF apura se empresas vinculadas à família de Jaques Wagner teriam recebido repasses financeiros ocultos de Augusto Lima e do grupo do Banco Master. A principal linha de investigação suspeita que o senador ganharia um imóvel de luxo em Salvador como disfarce para o pagamento de propina.
- Buscas e Enteado: Na mesma operação que mirou os endereços de Jaques Wagner e Augusto Lima, a PF realizou buscas contra Eduardo Sodré Martins, enteado do senador.
3. Empresas sob Suspeita de Fachada
Dentro do fluxo financeiro investigado na Compliance Zero, Augusto Lima é dono da empresa Terra Firme da Bahia LTDA. Auditorias e investigações apontaram que a Terra Firme foi a segunda empresa que mais recebeu repasses do Banco Master (cerca de R$ 186 milhões). A PF apura se essa estrutura e o próprio Instituto Terra Firme (em Salvador) foram utilizados para escoar e lavar recursos do esquema.
4. O Histórico de Augusto Lima no Caso
Augusto Lima — que também teve o seu Banco Pleno liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central — é apontado como operador central do braço político-financeiro do esquema. Ele chegou a ser preso logo na primeira fase da Operação Compliance Zero, sendo posteriormente liberado para responder em liberdade com o uso de tornozeleira eletrônica.
O posicionamento da defesa: Em manifestações prévias sobre o caso Master, Jaques Wagner afirmou que suas interações com empresários do grupo sempre foram de caráter estrito e institucional, pautadas pelo conhecimento da venda da Cesta do Povo na Bahia, negando qualquer recebimento de vantagens ilícitas. A defesa de Augusto Lima não se manifestou publicamente detalhando os repasses.
Leia também:
