A Polícia Federal obteve mensagens do celular de Augusto Lima que demonstra a relação íntima do ex-sócio de Daniel Vorcaro com o senador Jaques Wagner (PT-BA). Numa dessas mensagens, enviada em 29 de março de 2025, Lima comenta os termos da operação de venda do banco Master ao BRB e afirma: “Você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso!”.
Para o ministro André Mendonça, a frase “indica que Jaques não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”. Em outras mensagens, Guga Lima compartilha com o líder do governo Lula informações sobre a Emenda Master, que pretendia aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o valor de cobertura do FGC.
A PF descreve sequência de contatos entre o chefe de gabinete de Wagner, Guga Lima e o próprio Daniel Vorcaro. No dia 13 de agosto de 2024, data da inclusão da emenda, Lima e Wagner conversaram ao telefone por longos 9 minutos e 19 segundos. Logo depois, o ex-sócio de Vorcaro encaminhou ao parlamentar o link da emenda, apresentada por Ciro Nogueira e que hoje se sabe foi redigida pelo próprio Master.
A PF também identificou a atuação parlamentar de Wagner na pauta do crédito consignado, de interesse direto do Master, incluindo a emenda 30 de uma Medida Provisória, depois convertida em lei, que elevou a margem consignável da remuneração de trabalhadores regidos pela CLT e também para aposentados e pensionistas vinculados ao RGPS, além de autorizar a realização de
empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros
programas federais de transferência de renda.
Segundo os investigadores, posteriormente, Augusto Lima efetuou a transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, ligada à família de Jaques Wagner. O dinheiro saiu da PKL One Participações, usada por Lima para comprar o Credcesta.
Como mostramos, a Polícia Federal também sustenta que o senador recebeu, como propina, um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,5 milhões. O imóvel teria sido colocado em nome de um laranja, por meio de estruturas societárias operadas pelo advogado Daniel Monteiro, preso em fase anterior da Compliance Zero e homenageado pelo PT da Bahia na Assembleia Legislativa.
