Julgamento de Eduardo Bolsonaro entra na reta final
Brasília, Segunda, 15 de junho de 2026
Política

Julgamento de Eduardo Bolsonaro entra na reta final sob disputa sobre composição do STF

Defensoria Pública pede adiamento da sessão e questiona análise do caso com a Primeira Turma incompleta

Eduardo Bolsonaro ironiza menção de Tarcísio de Freitas como pré-candidato à Presidência em ranking de relevância nas redes sociais.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar amanhã (16) a ação penal contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de coação no curso do processo. A poucos dias da sessão, a Defensoria Pública da União (DPU) pediu o adiamento do julgamento e questionou a composição da Primeira Turma da Corte.

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O pedido foi protocolado na sexta-feira (12). A DPU solicita que um ministro de outra turma seja convocado para completar o colegiado, que atualmente opera com uma vaga em aberto após a transferência de Luiz Fux para a Segunda Turma.

Segundo a Defensoria, a composição reduzida pode provocar dificuldades em caso de empate ou eventual impedimento de algum dos ministros que participarão do julgamento. Hoje, a Primeira Turma é formada por Alexandre de Moraes, relator da ação, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

A sessão será responsável por decidir se Eduardo Bolsonaro será condenado ou absolvido da acusação apresentada pela PGR.

De acordo com a denúncia, o ex-deputado teria atuado junto a autoridades e parlamentares dos Estados Unidos para pressionar o governo norte-americano a adotar medidas contra ministros do STF e contra o Brasil.

A acusação se baseia em elementos da Polícia Federal de Andrei Rodrigues. O órgão fala sobre uma intensificação da atuação política de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos após sua saída do Brasil. O ex-deputado já disse mais de uma vez ser alvo de perseguição política.

A DPU passou a atuar no caso após Eduardo deixar de comparecer ao interrogatório por videoconferência determinado pelo Supremo. Diante da ausência, Alexandre de Moraes decretou a revelia do réu e autorizou o prosseguimento da ação sem sua participação direta.

Sem advogado constituído nos autos, a Defensoria foi designada para assumir sua representação processual.

A defesa sustenta que as manifestações de Eduardo Bolsonaro estão protegidas pela liberdade de expressão e pela atuação política exercida no exterior. Já a PGR afirma que o ex-parlamentar utilizou influência política para buscar sanções internacionais contra integrantes do Supremo, incluindo iniciativas relacionadas à Lei Magnitsky.

O processo é considerado um dos principais envolvendo a família Bolsonaro desde a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2025.

No mesmo inquérito, o jornalista Paulo Figueiredo também foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República, mas sua ação penal ainda não foi instaurada.

Em fevereiro, o Ministério da Justiça informou ao STF que seguia sem resposta das autoridades norte-americanas sobre a carta rogatória enviada para promover a notificação pessoal de Figueiredo.

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