A convocação de Neymar para a Copa do Mundo deste ano envolveu personagens que vão além da comissão técnica da Seleção Brasileira. O presidente Lula (PT) revelou ter sido consultado por Carlo Ancelotti sobre o atacante. Já Francisco Mendes, filho do ministro do STF Gilmar Mendes, afirmou nos bastidores que foi o responsável pela volta do jogador à equipe.
Apesar das dúvidas sobre seu condicionamento físico, Neymar foi convocado por Ancelotti em 18 de maio. Sem ele, a Seleção estreou na Copa do Mundo com empate por 1 a 1 diante do Marrocos, resultado que gerou frustração entre torcedores pelo desempenho apresentado.
Neymar ainda não entrou em campo no torneio. O atacante do Santos sofreu uma lesão antes da Copa e segue em recuperação. A comissão técnica não pretende acelerar seu retorno para a partida contra o Haiti, marcada para sexta-feira (19), na Filadélfia. Na quarta (17), a lesão completará um mês.
Nesta segunda (15), o atacante passará por nova avaliação para definição da programação da semana. Desde que se lesionou, não treinou com bola. Após receber alta da fisioterapia, ainda precisará cumprir uma etapa de transição física antes de voltar aos trabalhos com o restante do elenco.
Fora de campo, sua volta à Seleção também ganhou contornos políticos. Ontem (14), Lauro Jardim, do jornal O Globo, relatou que Francisco Mendes, filho de Gilmar e apontado por interlocutores como “o manda chuva de fato da CBF [Confederação Brasileira de Futebol]”, afirmou durante o Gilmarpalooza, realizado no início do mês, que foi o responsável pela convocação.
Segundo o colunista, Francisco Mendes disse a interlocutores: “Quem convocou o Neymar fui eu”. O filho do magistrado não ocupa um cargo oficial na CBF, mas atua como “articulador”. Ele é diretor-geral do IDP (instituto fundado por seu pai) e membro da comissão disciplinar da FIFA.
A influência de Gilmar sobre a CBF ocorre principalmente por meio do IDP, do qual é sócio-fundador. O instituto mantém contratos milionários com a entidade, enquanto o ministro participou de decisões judiciais consideradas decisivas para a permanência da cúpula da confederação.
Em 2024, o ministro do Supremo concedeu liminar que reconduziu Ednaldo Rodrigues à presidência da CBF. O dirigente havia sido afastado por decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em 7 de dezembro do ano anterior. Meses depois, voltou a deixar o cargo.
O ponto que chama atenção é que a parceria entre a CBF e o IDP foi formalizada em 16 de agosto de 2023, quando Ednaldo ocupava a presidência da confederação.
Um mês antes da convocação definitiva para a Copa do Mundo, Lula também comentou o tema Neymar. Em entrevista à TV 247, em parceria com a Revista Fórum e o DCM, o presidente afirmou ter conversado com Ancelotti e relatou que o treinador pediu sua opinião sobre o atacante do Santos.
“Eu tive a chance de conversar com o Ancelotti, e o Ancelotti perguntou para mim: ‘Você acha que o Neymar deve ser convocado?’. E eu falei: ‘Olha Ancelotti, se ele estiver fisicamente preparado, ele tem futebol’. É preciso saber se ele quer. Se quiser, tem que ser profissional”, disse o petista.
A presença de Neymar na Seleção também movimenta interesses comerciais. O atacante tem cerca de 20 patrocinadores pessoais, entre eles Puma, Red Bull, Blaze, Viva Sorte e Mercado Livre. No mercado publicitário, é considerado um dos principais ativos de imagem do futebol brasileiro.
Patrocinadores da CBF também demonstram interesse em sua presença na equipe nacional. Empresas como Cimed e Sadia defenderam a convocação do jogador para a Copa. A avaliação é que Neymar amplia o engajamento do público e o retorno comercial das campanhas ligadas à Seleção.
O tema ganha peso adicional porque os direitos de imagem do atacante são administrados exclusivamente pela NR Sports. Na prática, patrocinadores da CBF não podem usar sua imagem de forma independente, o que exige negociações específicas com a empresa que gerencia sua carreira.

