O analista econômico Ary Alcântara afirmou hoje (11), durante o programa Alive, apresentado por Claudio Dantas no YouTube, que a pesquisa Quaest divulgada nesta semana não permite conclusões definitivas sobre a eleição presidencial de 2026 e criticou a estrutura do questionário aplicado aos entrevistados.
Ao comentar a análise do cientista de dados Leonardo Dias sobre o levantamento, Ary disse que o dado mais relevante da pesquisa é o voto espontâneo, no qual o Lula aparece com 23% e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 17%.
Segundo ele, Lula já atingiu um patamar consolidado de conhecimento entre os eleitores.
“O 23 do Lula é o voto dele. O Lula já é conhecido, não precisa de campanha. O Lula está há 40 anos no mercado”, afirmou.
Para Ary, o crescimento de Flávio Bolsonaro nos cenários apresentados indica potencial de avanço eleitoral ao longo da campanha.
“Hoje o candidato mais viável é o Flávio Bolsonaro do que o Lula, dependendo obviamente do encaminhamento da campanha”, declarou.
O analista também criticou o tamanho e o conteúdo do questionário utilizado pela Quaest. Segundo ele, diversas perguntas exigiriam um nível de conhecimento que não corresponde à realidade da maior parte dos eleitores.
“Existem perguntas ali extremamente complexas. Relacionamento Brasil e Estados Unidos, Trump e uma série de outros temas. Fazer um questionário perguntando isso é nitidamente uma tentativa de induzir uma opinião”, afirmou.
Ary sustentou que a sequência de perguntas comprometeria a capacidade de aferição do levantamento.
“Essa pesquisa não significa nada. Pega isso e joga no lixo. Porque, com a sequência de questionário colocada, ela não aferiu nada”, disse.
Durante o debate, o jornalista Eli Vieira também comentou os números apresentados por Leonardo Dias e destacou que o principal dado da pesquisa está relacionado ao comportamento dos eleitores ainda indecisos.
Segundo ele, o levantamento mostra um cenário diferente daquele retratado por parte das análises eleitorais.
“Os indecisos são mais da metade. Isso é uma novidade para o público saber. Muita coisa pode mudar”, afirmou.
Eli observou que Lula permanece estável nas medições espontâneas, enquanto Flávio Bolsonaro apresenta trajetória de crescimento.
“Uma coisa que dá para ver é a curva ascendente do Flávio”, disse.
O jornalista também afirmou que parte das perguntas relacionadas aos Estados Unidos reproduz a narrativa adotada pelo governo federal sobre as recentes tensões comerciais envolvendo Washington e Brasília.
Segundo ele, temas como as críticas americanas às decisões do ministro Alexandre de Moraes e as ações judiciais envolvendo plataformas digitais ficaram fora dos recortes divulgados.
“Quando o instituto compra isso aqui, ele está projetando uma narrativa governista e petista na pesquisa”, declarou.
A advogada Carol Sponza também questionou a formulação das perguntas relacionadas ao governo dos Estados Unidos e ao senador Flávio Bolsonaro.
Segundo ela, o questionário não refletiria integralmente os elementos presentes nas discussões entre autoridades brasileiras e americanas.
“A verdade é que nenhuma dessas perguntas mostra o cenário real do que está acontecendo”, afirmou.
Carol argumentou que o levantamento concentrou a atenção em questões ligadas ao Pix e às tarifas comerciais, deixando de lado outros temas mencionados em documentos e relatórios oficiais.
“Em nenhum momento isso é falado. Tudo é tratado como se o Pix fosse o centro da questão”, disse.
Ela também afirmou que a forma como as perguntas foram estruturadas favoreceria uma determinada interpretação dos acontecimentos.
“É claramente um viés para favorecer a narrativa do Lula do Pix e para desfavorecer o Flávio Bolsonaro”, declarou.
Ao longo do programa, os participantes também comentaram a análise divulgada por Leonardo Dias sobre a pesquisa Quaest registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026.
O cientista de dados afirmou ter revisado integralmente o questionário, os dados amostrais e os resultados divulgados pelo instituto. Embora tenha elogiado o trabalho de campo realizado pela Quaest, Dias questionou a divulgação parcial de algumas respostas registradas durante a coleta.
Segundo ele, perguntas sobre uma eventual substituição de Flávio Bolsonaro como candidato da direita, avaliações sobre Donald Trump e o impacto de um possível apoio do presidente americano ao senador foram aplicadas aos entrevistados, mas não apareceram no relatório público.
“Essas perguntas foram aplicadas. Foram pagas pelo Banco Central. Foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral. E não aparecem em lugar nenhum do PDF público”, escreveu.
Dias também destacou que 56% dos entrevistados não souberam apontar espontaneamente um candidato à Presidência.
“Mais da metade do país ainda não decidiu a eleição que o noticiário já deu por decidida”, afirmou.
Ao final do programa, Claudio Dantas defendeu a necessidade de unificação do campo da direita e criticou a possibilidade de fragmentação eleitoral.
Segundo ele, parte do eleitorado ainda não compreende o peso estratégico da disputa presidencial de 2026.
“É uma questão de sobrevivência”, afirmou.
Dantas também voltou a criticar o voto nulo entre eleitores antipetistas.
“Eu estou explicando para você: voto nulo é voto Lula”, declarou.
