Precisamos falar sobre pesquisas eleitorais; ou não
Brasília, Quinta, 11 de junho de 2026
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Lula com boné do complexo do Alemão na campanha de 2022
Lula com boné do complexo do Alemão na campanha de 2022

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Por Claudio Dantas

Se 2022 foi marcado por erros grosseiros nas pesquisas eleitorais, 2026 já se caracteriza por um absoluto vale tudo. Antes mesmo de iniciada a campanha, temos pesquisas com áudio publicado por site militante e sequência de perguntas direcionadas, temos pesquisas com perguntas genéricas e respostas não publicadas, temos financiamento oculto de pesquisas, margens de erros erradas e até donos de institutos de pesquisa atuando como comentaristas de candidaturas.

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É uma selva.

Ao fim da campanha de 2022, era urgente uma CPI dos Institutos de Pesquisa. Hoje, é caso de polícia. Por isso, vi a decisão de Nunes Marques sobre o Atlas/Intel como divisor de águas, necessário freio de arrumação. É preciso proteger os pesquisadores deles mesmos, para que não transformem atividade estatística tão nobre em um mercado de pulgas. Pesquisa não é peça de propaganda, cientista de dados não é marqueteiro.

Institutos de pesquisa, claro, têm autonomia para escolher sua metodologia. Mas isso não lhes autoriza a induzir entrevistados, mentir sobre fatos para colher respostas convenientes e nem selecionar deliberadamente extratos populacionais para tentar adaptar o resultado ao desejo do cliente. Liberdade de expressão não é liberdade de agressão… à realidade, à lei ou à inteligência do eleitor. Não é mesmo, Alexandre!?

O caso da Atlas/Intel é simbólico pelo ineditismo de se arrolar ao questionário um áudio (transformado em vídeo), publicado por um site obscuro. Questionário que pareceu elaborado para vincular o caso Master a um determinado candidato, mesmo que o outro candidato tenha se reunido secretamente com Daniel Vorcaro, tenha ex-ministros a soldo dele e outros envolvidos na origem do ‘sucesso’ — ainda que efêmero — do banco.

Outro caso de registro envolve a RealTime Big Data, que na pesquisa mais recente formulou perguntas genéricas sobre o encontro de Flávio Bolsonaro com Donald Trump, sem mencionar as pautas da reunião nem vinculá-las diretamente à ação do senador, como a decisão posterior da Casa Branca de designar PCC e CV como terroristas – tema central da pauta mais importante para o eleitor brasileiro, a segurança pública.

Divulgada parcialmente ontem, a pesquisa da Quaest promete se tornar caso ainda mais emblemático. Primeiro, pelo fato de conter 114 perguntas (quase um Enem!) e de ter sido aplicada presencialmente, com entrevistas domiciliares. É difícil imaginar 2 mil entrevistados sendo sabatinados calmamente sobre política, enquanto a panela de feijão apita na cozinha.

Surpreende também o uso de narrativas de apenas um lado do espectro político para a formulação das perguntas, atribuindo a Lula feitos concretos e evitando o mesmo em relação a Flávio. Em alguns casos, o resultado é risível, com na conclusão de que o petista é mais patriota do que o senador do PL. Em outros, o resultado é desconhecido, como no caso das respostas às perguntas sobre se Jair Bolsonaro deveria trocar Flávio.

As perguntas fora feitas, mas as respostas até agora não foram publicadas. Segundo Felipe Nunes, dono da Quaest, elas devem ser divulgadas nos próximos dias… Nunes é aquele rapaz muito bem apessoado, que trabalhou para as campanhas de Dilma Rousseff e Fernando Pimentel, e seu instituto é aquele financiado pelo banco Genial, gestor de um fundo com R$ 176 milhões bloqueado pela Justiça por suspeita de lavagem para o PCC.

Eu já nem sei o que pensar, talvez nem seja muito seguro criticar essas pesquisas e seus pesquisadores.

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