Morte de arara criada por família no RN expõe falhas na atuação do Ibama
Brasília, Domingo, 07 de junho de 2026
Justiça

Morte de arara criada por família no RN expõe falhas na atuação do Ibama

Apreensão de Pepa ocorreu sem mandado judicial

Foto: Reprodução/BZNotícias

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Por Redação

Uma arara-canindé de cerca de 16 anos, chamada Pepa, que vivia na Colméia Chalés, em Camurupim (RN), morreu após ser apreendida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e transferida para um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) na Paraíba.

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De acordo com a jornalista Eliana Lima, do BZNotícias, a ave foi levada em 22 de janeiro por agentes do Ibama durante uma ação na propriedade, mesmo após a apresentação de documentação que indicaria a aquisição legal do animal ainda filhote. A apreensão ocorreu sem mandado judicial, segundo a versão dos responsáveis pelo local.

Após a retenção, a família buscou medidas administrativas e acionou a Justiça Federal. Uma decisão liminar determinou a devolução da arara em até três dias úteis, ordem que, segundo os relatos, não foi cumprida pelo órgão.

Em nova tentativa de cumprimento da decisão, um oficial de justiça foi ao local para executar o mandado de busca e apreensão, mas foi informado de que a ave havia sido transferida para o Cetas de Cabedelo, na Paraíba. Pouco depois, a família foi comunicada da morte do animal.

Despacho do Ibama (nº 27322068/2026-Supes-RN), assinado pelo superintendente substituto Jean Franco Schmitt, confirma o óbito da arara e informa que aguarda laudo de necropsia para apuração das causas.

O órgão informou, em resposta ao Cidade Alerta da TV Tropical no dia 27 de maio, que os procedimentos adotados seguiram “estritamente a legislação ambiental vigente” e os protocolos técnicos estabelecidos. Disse ainda que as informações estão sendo encaminhadas ao Poder Judiciário conforme as solicitações formais.

O Ibama também justificou a transferência para outro estado alegando que o Cetas de Natal está temporariamente fechado para reformas, o que tem levado ao envio de animais apreendidos para unidades em outras regiões.

O caso tramita na Justiça Federal e aguarda desdobramentos com base no laudo de necropsia e nas informações prestadas pelo órgão ambiental.

O caso de Pepa não é o único em que um animal convivente com família, sem sinais de maus-tratos, morreu depois de ser retirado por agentes ambientais. Em Campo Grande (MS), a aposentada Maria de Lourdes conviveu 22 anos com seu papagaio Guri, apreendido após denúncia anônima. O animal morreu no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres 28 dias depois e a tutora só foi informada um ano e sete meses após o ocorrido.

Em Montenegro (RS), o gambá Emílio, com mais de 150 mil seguidores nas redes sociais, foi apreendido em 2023. A tutora afirmou que o entregou “vivo, caminhando” e que era “bem cuidado e protegido”. Morreu dormindo 22 dias depois no Cetas, fato confirmado pelo próprio Ibama.

Em 2024, ao determinar a devolução de uma macaca-prego à sua família no DF, um desembargador registrou que a permanência do animal em casa “mostra-se mais consentânea com seu bem-estar do que sua transferência para um centro de triagem reconhecidamente deficitário”. No caso de Pepa, a decisão não chegou a tempo.

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