EUA citam Brasil ao pressionar contra imposto sobre big techs
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Mundo

EUA citam Brasil ao pressionar contra imposto sobre big techs

Secretário do Tesouro afirma que Washington atua para barrar tributos que atingem empresas americanas de tecnologia

EUA devem elevar tarifa universal de 10% para 15%, diz secretário do Tesouro
EUA devem elevar tarifa universal de 10% para 15%, diz secretário do Tesouro

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou hoje (4) que o governo americano tem atuado junto ao Brasil e a outros parceiros comerciais para impedir a adoção de tributos sobre serviços digitais que possam atingir empresas de tecnologia dos Estados Unidos.

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A declaração foi feita durante audiência no Comitê de Meios e Recursos da Câmara dos Representantes. Ao detalhar a estratégia comercial de Washington, Bessent citou nominalmente o Brasil entre os países que vêm sendo alvo das negociações.

“Estamos pressionando, seja na Europa, no Brasil, na Índia ou no Canadá, contra esses impostos sobre serviços digitais”, declarou.

Segundo o secretário, a posição americana busca proteger companhias de tecnologia sediadas nos Estados Unidos durante as negociações comerciais conduzidas pela administração do presidente Donald Trump.

“Temos o maior ecossistema de tecnologia e inovação do mundo, e eles não podem tirar vantagem das nossas empresas”, afirmou.

O tema faz parte de uma série de disputas comerciais envolvendo tributação de plataformas digitais, serviços online e grandes empresas de tecnologia que atuam globalmente.

Petróleo russo e sanções

Durante a mesma audiência, Bessent também abordou a política de sanções contra a Rússia e afirmou que futuras autorizações para compra de petróleo russo poderão ser analisadas individualmente para cada país.

“Minha forte inclinação é que, se houver novas isenções, elas sejam específicas para determinados países e não generalizadas”, disse.

Segundo ele, as flexibilizações concedidas até agora tiveram impacto limitado sobre as receitas russas.

“A Federação Russa viu muito pouca receita adicional por causa dessas isenções. O petróleo deles já estava indo para a China, e agora pode ser vendido aos nossos aliados”, afirmou.

Debate sobre tarifas contra aliados da Rússia

A discussão ocorreu após questionamentos do deputado republicano Brian Fitzpatrick, que defendeu medidas mais duras contra países que mantêm relações econômicas com Moscou.

O parlamentar citou uma proposta apresentada no Congresso americano para impor tarifas de até 500% sobre produtos russos e também sobre importações oriundas de países que auxiliem economicamente a Rússia durante a guerra na Ucrânia.

Ao responder, Bessent questionou os efeitos de uma medida dessa magnitude.

“É preciso dar um passo atrás e pensar: vocês estão dispostos a impor uma tarifa de 500% sobre a China?”, afirmou.

O secretário acrescentou que uma tarifa nesse nível equivaleria, na prática, a um embargo comercial.

“Porque tudo o que ouvi — especialmente do outro lado, mas também de muitos do nosso lado — é que tarifas geram inflação. Eu não acredito nisso. Mas uma tarifa de 500% é, na prática, um embargo.”

Apoio à Ucrânia

Durante o depoimento, Bessent reiterou apoio à Ucrânia e relembrou uma visita realizada a Kiev em 2025.

O secretário também criticou a condução da política externa do ex-presidente Joe Biden em relação à Rússia, afirmando que a administração anterior poderia ter adotado medidas mais rigorosas contra Moscou.

Segundo ele, diversos países considerados mais vulneráveis solicitaram a renovação das isenções relacionadas ao petróleo russo durante encontros realizados neste ano pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial.

Após a audiência, Fitzpatrick afirmou que pretende retomar as discussões com o secretário sobre futuras flexibilizações nas sanções.

“É praticamente consenso que o único fator capaz de dissuadir Putin são sanções econômicas sufocantes, que exerçam pressão econômica sobre a agenda doméstica e sobre a população do país”, declarou o parlamentar.

As declarações ocorreram em meio ao aumento das disputas comerciais dos Estados Unidos com diversos parceiros internacionais e ao debate sobre novas regras de tributação para empresas globais de tecnologia.

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