Vorcaro tentou delatar outro contrato milionário de mulher de Moraes, diz O Globo
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Vorcaro tentou delatar outro contrato milionário de mulher de Moraes, diz O Globo

Primeira proposta rejeitada pela PF citava contrato de R$ 50 milhões Viviane Barci

Daniel Vorcaro ao ser fichado após prisão
Foto: Reprodução

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Por Redação

Um dos pontos mais sensíveis da delação apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF) envolve a menção a um contrato de R$ 50 milhões ligado ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A referência constava da primeira proposta de colaboração premiada, rejeitada pelos investigadores, mas voltou a chamar atenção durante a análise da nova versão entregue às autoridades. As informações são da coluna da Malu Gaspar e da CNN.

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Embora o foco principal da segunda proposta tenha sido ampliado para incluir relatos sobre integrantes dos Três Poderes, membros do governo Lula, parlamentares e autoridades do Judiciário, o episódio envolvendo o escritório da mulher de Moraes permanece entre os trechos mais relevantes examinados por PF e Procuradoria-Geral da República (PGR).

A expectativa é que os órgãos concluam nos próximos dias a avaliação preliminar do novo material. O prazo está relacionado à decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que autorizou a permanência temporária de Vorcaro em cela especial enquanto prosseguem as negociações para um eventual acordo de colaboração.

Contrato ligado ao escritório da mulher de Moraes apareceu na primeira delação

Entre os pontos que mais despertaram interesse dos investigadores na primeira proposta estava a referência a um contrato de R$ 50 milhões envolvendo uma empresa ligada a Vorcaro e o escritório Barci de Moraes.

Segundo o relato apresentado pelo banqueiro, o documento teria sido elaborado semanas antes de sua prisão e da liquidação do Banco Master.

A versão entregue à PF afirmava que o contrato previa o pagamento de R$ 50 milhões ao escritório, mas que o acordo não chegou a ser assinado nem executado.

A existência da referência foi posteriormente confirmada por fontes que tiveram acesso ao material encaminhado aos investigadores.

Pagamento buscaria garantir contrato anterior

Pessoas próximas ao ex-banqueiro afirmaram que a elaboração do documento teria ocorrido em agosto de 2025, quando já existiria a perspectiva de venda do Banco Master.

De acordo com essa versão, a intenção seria assegurar o recebimento integral dos valores previstos em um contrato anterior firmado entre o banco e o escritório de advocacia.

O acordo original previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões entre janeiro de 2024 e janeiro de 2027. Ao final do período, o montante alcançaria aproximadamente R$ 130 milhões.

Com a prisão de Vorcaro e a posterior liquidação do banco, os pagamentos teriam sido interrompidos antes da conclusão do contrato.

Dados enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado apontam que o Banco Master declarou pagamentos de R$ 80,2 milhões ao escritório entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, classificados como despesas com serviços jurídicos e consultoria.

Investigadores apontaram lacunas

Apesar da repercussão do relato, a primeira proposta de colaboração encontrou resistência dentro da Polícia Federal.

Os investigadores apontaram que o documento não identificava qual empresa celebraria o novo contrato nem explicava por que seria necessária uma contratação fora da estrutura do Banco Master.

Também não havia esclarecimentos sobre a definição do valor de R$ 50 milhões nem detalhes sobre o objeto do eventual acordo.

Segundo fontes ligadas à investigação, essas lacunas contribuíram para que a proposta fosse considerada insuficiente para a celebração de um acordo de colaboração premiada.

A avaliação interna era de que o material apresentava poucos elementos novos em relação às informações já conhecidas pelas autoridades.

Nova versão amplia alcance da colaboração

Após a rejeição da primeira proposta, a defesa de Vorcaro reformulou o material apresentado à PF e à PGR.

De acordo com relatos obtidos por investigadores, a nova versão é mais extensa e detalhada, trazendo informações sobre a relação do ex-controlador do Banco Master com integrantes do Judiciário, lideranças do Congresso Nacional, ministros do governo federal e figuras da oposição.

Interlocutores envolvidos nas negociações afirmam que a reformulação ocorreu após mudanças na estratégia jurídica adotada pela defesa.

A expectativa das autoridades é que o novo documento apresente informações inéditas e elementos passíveis de comprovação, requisito considerado essencial para eventual homologação do acordo.

Escritório nega novo acordo

Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que não celebrou qualquer novo contrato com Daniel Vorcaro ou empresas ligadas ao banqueiro.

O comunicado também declarou que não houve prestação adicional de serviços nem recebimento de valores relacionados ao documento mencionado na delação.

Procurado sobre o assunto, o ministro Alexandre de Moraes não se manifestou.

Prazo para análise

A nova proposta segue sob análise conjunta da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.

Fontes ligadas ao caso afirmam que a reformulação buscou atender às exigências feitas pelas autoridades após a rejeição da primeira versão.

A expectativa é que uma posição preliminar seja apresentada até meados de junho, quando termina o prazo estabelecido pelo ministro André Mendonça para a atual fase das negociações.

A decisão poderá definir se a colaboração premiada avançará para uma etapa formal ou se novas complementações serão exigidas pelas autoridades responsáveis pela investigação.

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