PF cita viagens e encontros de Castro com Vorcaro
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

PF cita viagens e encontros de Castro com Vorcaro

Decisão de André Mendonça aponta relação próxima entre ex-governador do Rio e banqueiro investigado no caso Rioprev

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A Polícia Federal apontou ao Supremo Tribunal Federal que o banqueiro Daniel Vorcaro financiou viagens, encontros e eventos com o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) em meio às operações bilionárias do Rioprevidência com o Banco Master.

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A informação consta na decisão do ministro do STF André Mendonça que autorizou mandados de busca e apreensão na oitava fase da Operação Compliance Zero. Segundo a investigação, os encontros entre Castro e Vorcaro ocorreram antes de aportes milionários feitos pelo fundo previdenciário estadual em produtos ligados ao banco.

A PF afirma que o relacionamento entre os dois ultrapassou contatos institucionais e envolvia “vínculo pessoal estreito”, com encontros frequentes “inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro”.

De acordo com a decisão, os investigadores identificaram “sincronismo entre encontros mantidos entre ambos e os aportes financeiros subsequentes do RPPS”. Conversas extraídas do celular de Vorcaro também indicariam que parte das liberações dependia de “alinhamento político” com o então governador do Rio.

A investigação apura cerca de R$ 3 bilhões movimentados pelo Rioprevidência em operações ligadas ao Banco Master. Inicialmente, o fundo aplicou R$ 970 milhões em Letras Financeiras entre outubro de 2023 e julho de 2024. Depois, outros R$ 2,01 bilhões foram destinados a fundos estruturados pelo mesmo grupo financeiro.

Segundo André Mendonça, a PF identificou mudanças estratégicas na diretoria do Rioprevidência antes do início das aplicações. Os investigadores sustentam que a troca de gestores abriu caminho para o credenciamento acelerado do Banco Master e para investimentos feitos sem estudos técnicos adequados.

A decisão também afirma que os aportes continuaram mesmo após alertas de órgãos de controle e pareceres técnicos contrários às operações. O ministro menciona “manutenção do fluxo de recursos públicos para operações classificadas como temerárias e desprovidas de justificativa técnica”.

Entre os alvos da operação estão Cláudio Castro, ex-dirigentes do Rioprevidência, o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues e as empresas Mídias Promotora Ltda e Planner Corretora de Valores. A PF aponta suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e crimes contra o sistema financeiro nacional.

A Procuradoria-Geral da República afirmou ao STF que os indícios reunidos demonstram a existência de uma estrutura organizada para captar recursos previdenciários em benefício do Banco Master. O parecer cita “fortes elementos” de participação dos investigados no esquema.

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