Operador da Lava Jato foi elo entre Castro e Vorcaro
Brasília, Segunda, 20 de julho de 2026
Justiça

Operador da Lava Jato foi elo entre Castro e Vorcaro

Investigação liga delator da Lava Jato a captação bilionária do Rioprevidência para o Banco Master

PF: Castro tinha “vínculo pessoal estreito” com Vorcaro
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A Polícia Federal apontou o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, ex-colaborador da Lava Jato, como peça central na aproximação entre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

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Segundo a investigação da oitava fase da Operação Compliance Zero, Rodrigues atuava como articulador político e operador responsável por captar fundos de previdência para aplicações em produtos ligados ao Master.

A PF afirma que a relação entre Castro e Vorcaro ajudou a viabilizar aportes de aproximadamente R$ 3,1 bilhões do Rioprevidência em papéis e fundos ligados ao banco privado desde o fim de 2023.

Na decisão que autorizou a operação, o ministro André Mendonça descreve Rodrigues como “articulador, captador e lobista, com papel ativo na identificação de oportunidades de negócios e na aproximação entre Daniel Vorcaro e autoridades públicas com poder de decisão sobre regimes próprios de previdência”.

Os investigadores também apontam que Rodrigues teria informado a Vorcaro que o Rioprevidência possuía um “dono” responsável por autorizar as operações envolvendo os recursos do fundo estadual. Em outra troca de mensagens citada pela PF, o empresário comemora metas de captação de recursos previdenciários e projeta arrecadação de “mais de bilhão” nos meses seguintes.

A investigação ainda relaciona Rodrigues à empresa Mídias Promotora Ltda, apontada pela PF como estrutura usada para receber e distribuir comissões ligadas às operações financeiras investigadas. Segundo as apurações, a empresa recebeu R$ 126 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025.

De acordo com a decisão do STF, a companhia estaria registrada em nome de um laranja e teria sido utilizada para “receber e distribuir comissões” aos envolvidos no esquema, “permitindo a circulação e a fragmentação dos ganhos ilícitos com aparência de regularidade contratual”.

Ricardo Siqueira Rodrigues já havia sido alvo da extinta Operação Lava Jato em 2018, quando foi apontado como operador ligado a fundos de pensão. Posteriormente, fechou acordo de colaboração e relatou supostos esquemas envolvendo auditores da Receita Federal e integrantes do Judiciário.

Além das investigações criminais, o empresário também foi alvo da Comissão de Valores Mobiliários por fraudes ligadas à construção de um hotel na Barra da Tijuca, no Rio. Em dezembro de 2024, a CVM aplicou multa de R$ 53,3 milhões contra Rodrigues.

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