Mineiro voltou a classificar julgamento de Bolsonaro como ‘perseguição política’
O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), defendeu a anistia para Jair Bolsonaro como um dos pontos de negociação para o tarifaço imposto pelos EUA. Para Zema, o julgamento do ex-presidente no STF por suposta trama golpista é uma “motivação clara” para a retaliação americana.
“Isso, sim, deve ser colocado na mesa. Vimos nos últimos dias editoriais do Estadão e do Globo e manifestações de ex-ministros e ex-presidentes do Supremo contra os excessos que estão sendo cometidos, principalmente contra o ex-presidente Jair Bolsonaro”, declarou Zema em entrevista ao UOL News.
O governador voltou a classificar o julgamento de Bolsonaro como uma “perseguição política” e questionou a condução do processo pelo ministro Alexandre de Moraes. “Seria muito bom termos uma revisão da condução desse processo. Da forma como isso está sendo feito, está claríssimo que estamos ferindo a nossa Constituição”, afirmou.
A anistia para Bolsonaro e para os condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 é uma pauta defendida pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que, assumidamente, articula sanções do governo Donald Trump contra ministros do STF em defesa de seu pai.
Embora compreenda o “momento difícil” do parlamentar, Zema criticou a postura do filho do ex-presidente. “Mas nada justificaria uma manifestação contra o Brasil e milhões de brasileiros que dependem dos seus empregos e dessas exportações”, disse o governador, citando medidas cautelares de Moraes, como a proibição de contato com o ex-presidente.
Zema também reforçou suas críticas ao presidente Lula e questionou o alinhamento do Brasil com o Brics. “É um grupo que também desagrada muito aos americanos e não agrega nada ao Brasil. Não estamos falando de países com a mesma cultura que a nossa, cristãos, democráticos. É um aglomerado de países que parece querer questionar a ordem mundial sem ter nenhuma proposta concreta”, destacou.
Apesar do questionamento de Zema, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) tenta obter um empréstimo de US$ 200 milhões com o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) dos Brics. A operação é articulada pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) com o Ministério da Fazenda. O recurso seria usado em projetos de pequenos e médios municípios mineiros.
