You are fake news, Trump! - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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You are fake news, Trump!

Donald Trump retira sanções a Alexandre de Moraes e endossa ditadura da toga.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

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Por Claudio Dantas

Donald Trump prometeu lutar pelas liberdades e todos nós acreditamos, mas era fake news! Se a aplicação da Magnitsky contra Alexandre de Moraes alçou o presidente americano à posição de líder do mundo livre, a decisão repentina de anular seu próprio ato, menos de cinco meses depois, representa uma reversão completa de expectativas. Um turning point, diria Charlie Kirk.

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Não há justificativa plausível para a medida e nenhuma foi oficialmente comunicada, o que torna seu ato recente obscuro, um contraponto absoluto à carta enviada a Lula com críticas e exigências claras pelo fim dos inquéritos políticos e da perseguição no Brasil. Se Trump recuou agora por interesse geopolítico ou apenas por uma barganha comercial sobre terras raras, deveria vir a público e deixar isso bem claro.

A luta pela liberdade no Brasil não é brincadeira, tampouco se restringe a uma questão político-partidária e nunca poderia ser incluída em qualquer pacote de investimentos. Pessoas morreram e outras ainda vão morrer na cadeia, milhares de inocentes tiveram suas vidas destruídas e outras são silenciadas diariamente. A imprensa livre se resume a poucos blogs e canais, como este aqui; as próximas eleições estão sendo tuteladas.

O ato covarde de Trump ocorre em momento ainda mais delicado, após a condenação sumária e a prisão arbitrária de Jair Bolsonaro, de ex-ministros e ex-comandantes militares; com o STF avançando definitivamente sobre o Congresso e ameaçando jogar na cadeia lideranças de centro que romperam com o governo Lula; com Moraes acuado pela denúncia de um contrato suspeito do escritório da mulher com um banqueiro investigado.

Trump não só traiu a causa, como o fez no pior momento, frustrando toda e qualquer tentativa institucional de reação. Não à toa, centenas de brasileiros infestam agora as redes sociais do americano com cobranças duras e mensagens de desapontamento. Trump não só traiu o Brasil, mas os EUA. As violações de Moraes aos direitos de cidadãos americanos, que motivam ações na Justiça de lá, foram ‘esquecidas’ com uma canetada.

De repente, o presidente americano já não parece preocupado com censura, perseguição e morte. Demonstra prezar muito pouco, quase nada, pelo conjunto de valores deixados pelos País Fundadores da América; baseados na moralidade cristã que forjou as democracias ocidentais e que separa a civilização da barbárie. Trump reduz sua imagem à do ‘deal maker’, do apostador de seus próprios cassinos, a de um bilionário amoral.

Sua ação na Venezuela, a partir de agora, ganha outra dimensão — uma bem menor.

Pelo visto, seus elogios públicos a Vladimir Putin, Kim Jon Un, Xi Jinping, Recep Erdogan, Mohammed bin Salman e Lula não eram parte de uma estratégia de negociação. Mas um sentimento legítimo, sua única verdade, afinal. 

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