PF aponta que Vorcaro tentou acionar chefes da PF e da PGR antes de sua prisão
Brasília, Terça, 16 de junho de 2026
Política

PF aponta que Vorcaro tentou acionar chefes da PF e da PGR antes de sua prisão

Relatório divulgado pelo STF indica que ex-banqueiro buscou interlocução com Andrei Rodrigues e Paulo Gonet após receber informações sobre investigação

Daniel Vorcaro ao ser fichado após prisão
Foto: Reprodução

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Por Redação

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tentou mobilizar contatos junto às cúpulas da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) dias antes de ser preso na Operação Compliance Zero. As informações constam de documentos tornados públicos nesta terça-feira (16) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.

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Segundo o relatório, anotações encontradas em dispositivos atribuídos a Vorcaro indicam que ele orientou um interlocutor não identificado a procurar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro considerava importante que fosse reforçada, junto aos dois chefes das instituições, a necessidade de impedir que subordinados praticassem “alguma sacanagem”, pois, segundo a anotação atribuída ao empresário, “aí vai tudo pro saco”.

Para os investigadores, o episódio reforça a suspeita de que o então banqueiro acompanhava de perto os desdobramentos da apuração antes mesmo da deflagração da operação policial.

A PF sustenta que Vorcaro teve acesso antecipado a informações sigilosas relacionadas ao caso. Entre os dados que, segundo a corporação, já eram conhecidos por ele antes da prisão, estariam a notícia de fato que deu origem à investigação, a identidade do magistrado responsável e a vara judicial onde tramitavam pedidos de medidas cautelares.

Conforme o relatório, o empresário atribuiu a origem dessas informações a pessoas ligadas ao Banco Central que teriam participado de reuniões reservadas com investigadores. A documentação aponta ainda que ele passou a monitorar movimentações relacionadas ao caso e a mapear autoridades envolvidas na apuração.

A investigação registra que Vorcaro anotou nomes de integrantes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal ligados ao inquérito e teria planejado encontros com fontes que poderiam fornecer detalhes sobre o andamento das diligências.

Outro trecho do relatório contesta a versão apresentada pelo empresário de que teria tomado conhecimento dos fatos por meio da imprensa. Segundo a PF, a cronologia dos acontecimentos não sustentaria essa alegação. Os investigadores afirmam que há indícios de que o próprio Vorcaro teria repassado informações a jornalistas antes da divulgação pública do caso.

A corporação também destaca mensagens trocadas entre Vorcaro e seu então advogado no dia da operação. Segundo os investigadores, após mais de seis meses sem contato registrado, os dois passaram a trocar ligações e mensagens de forma intensa horas antes do cumprimento das medidas judiciais.

No documento, a PF afirma que o comportamento observado, marcado por contatos sucessivos e preocupação com deslocamentos, “reforça o indicativo de que DV tinha consciência de que medidas relevantes seriam adotadas ainda naquele dia, compatível com o contexto de sua prisão poucas horas depois”.

Para os investigadores, o conjunto de elementos fortalece a hipótese de que Vorcaro tinha conhecimento prévio sobre o avanço da Operação Compliance Zero e estaria se preparando para reagir às ações das autoridades.

A defesa do empresário nega que ele tenha obtido acesso antecipado a informações sigilosas e sustenta que os dados mencionados pela investigação foram obtidos por meios públicos e reportagens divulgadas pela imprensa. Até o momento, não há acusação formal contra Andrei Rodrigues ou Paulo Gonet relacionada aos fatos descritos no relatório.

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