Durante participação no ALive desta quinta-feira (19), o vice-presidente da Unafisco Nacional, Mauro Silva, afirmou que os ministros do STF “imaginaram” que os vazamentos ligados ao caso Master, como o contrato da esposa de Alexandre de Moraes com o banco de Daniel Vorcaro, teriam partido da Receita.
“Se o conteúdo de um contrato vazou, então isso não veio da Receita Federal”, explicou Silva, destacando que o órgão não tem acesso a contratos. Ele ressaltou que, em relação a informações sobre patrimônio, a Receita possui esses dados.
Segundo o vice da Unafisco, quando um auditor acessa dados de Pessoas Expostas Politicamente (PEPs), surge um alerta formalizando a necessidade de explicar o acesso: “Tudo que o auditor acessa fica registrado, data, horário, que página, quanto tempo ficou na página, se fez cópia, então isso é muito simples de apurar, é só puxar o relatório que isso vem tudo”.
Silva relatou que um dos auditores alvo da PF a mando de Moraes confessou ter acessado “imotivadamente”, ou seja, acidentalmente e por “curiosidade pessoal”, informações da ex-enteada de Gilmar Mendes, Maria Carolina Feitosa, filha de Guiomar Feitosa.
De acordo com ele, o auditor achou que poderia ser a ex-esposa dele e acessou uma informação cadastral na declaração de 2008. Isso pode gerar sanção administrativa, mas, segundo Silva, não configura “vazamento” de dados.
“Se acessa motivadamente ou não divulga, aí é quebra de sigilo, aí é bem grave porque nós lidamos com informações sensíveis de empresas e pessoas, isso a gente leva muito a sério, a Receita e os auditores, é muito a sério”, afirmou.
“Quebra de sigilo é muito séria e pode levar da suspensão até a demissão. Mas é preciso provar que aquilo que você acessou é exatamente aquilo que vazou”.
O vice da Unafisco também criticou as medidas cautelares impostas por Moraes na última terça-feira (17), contra auditores da Receita, como monitoramento por tornozeleira eletrônica, afastamento de funções públicas, cancelamento de passaportes e proibição de saída do país.
“O que isso tem a ver com preservar as investigações? O que reter o passaporte de um servidor público concursado com 20 anos de serviço, que já estava colaborando com as investigações, tem a ver com preservar o resultado de investigação?”, indagou Silva.
Ele também comentou o afastamento ilegal e monocrático de auditores na época do inquérito das fake news. De acordo com o vice, existe um “temor” até hoje de investigar autoridades devido a “reações muito sérias” que podem afetar a carreira do auditor.

