O caso Banco Master ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (9) após declarações diferentes dentro do próprio Banco Central (BC) sobre quando a autoridade monetária passou a desconfiar de irregularidades na instituição financeira.
Em evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a área de fiscalização começou a levantar dúvidas sobre as carteiras de crédito do Master ainda em janeiro de 2025. Segundo ele, uma análise técnica concluída dois meses depois não encontrou evidências que comprovassem a existência dos ativos declarados pelo banco.
A versão, porém, difere do depoimento do diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, prestado à Polícia Federal no Supremo Tribunal Federal (STF). Na oitiva, realizada em dezembro de 2025, o diretor declarou que o BC só identificou créditos considerados falsos após 28 de março de 2025 — data em que foi anunciada a compra do banco pelo BRB.
Aquino afirmou que a inconsistência apareceu depois que informações foram inseridas no Sistema de Informações de Crédito (SCR). Segundo ele, a confirmação ocorreu apenas em reunião de 27 de junho de 2025 com representantes da Tirreno Consultoria e da Cartos Sociedade de Crédito Direto, empresas investigadas por originar operações inexistentes.
Suspeita antes da confirmação
De acordo com Galípolo, o alerta inicial surgiu porque o banco estaria criando novas carteiras de crédito ao mesmo tempo em que enfrentava dificuldades de liquidez — movimento considerado atípico pela supervisão.
O BC então formou um grupo técnico específico para analisar os ativos. O relatório produzido em março de 2025 apontou ausência de evidências que sustentassem a carteira informada pelo banco.
Ainda segundo o presidente da autarquia, naquele momento surgiu a avaliação de comunicar autoridades investigativas. Documentos enviados ao Tribunal de Contas da União indicam que o Ministério Público Federal foi notificado em julho.
O Banco Central declarou que não há contradição entre as falas: Galípolo teria se referido às suspeitas iniciais, enquanto Aquino tratou da confirmação documental das irregularidades.
Compra pelo BRB e liquidação
Mesmo sob investigação, o BC analisou durante meses a proposta de aquisição do Master pelo Banco de Brasília. O presidente da instituição afirmou que o escopo da operação mudou repetidamente porque a documentação entregue era incompleta.
A compra acabou rejeitada e o banco entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025.
Segundo Galípolo, na data da intervenção a instituição tinha cerca de R$ 4 milhões em caixa para pagar mais de R$ 120 milhões em CDBs sem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Dados apresentados pelo BC indicam ainda:
- queda de R$ 9,2 bilhões na captação coberta pelo FGC em 2025;
- redução de R$ 2 bilhões em recursos sem garantia;
- aportes superiores a R$ 2 bilhões feitos pelo controlador Daniel Vorcaro.
