Versões do BC sobre fraude no Master divergem
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Versões do BC sobre fraude no Master divergem

Galípolo diz que suspeitas surgiram em janeiro de 2025; diretor afirmou à PF que problema só apareceu após anúncio de compra pelo BRB

petróleo
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

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Por Redação

O caso Banco Master ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (9) após declarações diferentes dentro do próprio Banco Central (BC) sobre quando a autoridade monetária passou a desconfiar de irregularidades na instituição financeira.

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Em evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a área de fiscalização começou a levantar dúvidas sobre as carteiras de crédito do Master ainda em janeiro de 2025. Segundo ele, uma análise técnica concluída dois meses depois não encontrou evidências que comprovassem a existência dos ativos declarados pelo banco.

A versão, porém, difere do depoimento do diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, prestado à Polícia Federal no Supremo Tribunal Federal (STF). Na oitiva, realizada em dezembro de 2025, o diretor declarou que o BC só identificou créditos considerados falsos após 28 de março de 2025 — data em que foi anunciada a compra do banco pelo BRB.

Aquino afirmou que a inconsistência apareceu depois que informações foram inseridas no Sistema de Informações de Crédito (SCR). Segundo ele, a confirmação ocorreu apenas em reunião de 27 de junho de 2025 com representantes da Tirreno Consultoria e da Cartos Sociedade de Crédito Direto, empresas investigadas por originar operações inexistentes.

Suspeita antes da confirmação

De acordo com Galípolo, o alerta inicial surgiu porque o banco estaria criando novas carteiras de crédito ao mesmo tempo em que enfrentava dificuldades de liquidez — movimento considerado atípico pela supervisão.

O BC então formou um grupo técnico específico para analisar os ativos. O relatório produzido em março de 2025 apontou ausência de evidências que sustentassem a carteira informada pelo banco.

Ainda segundo o presidente da autarquia, naquele momento surgiu a avaliação de comunicar autoridades investigativas. Documentos enviados ao Tribunal de Contas da União indicam que o Ministério Público Federal foi notificado em julho.

O Banco Central declarou que não há contradição entre as falas: Galípolo teria se referido às suspeitas iniciais, enquanto Aquino tratou da confirmação documental das irregularidades.

Compra pelo BRB e liquidação

Mesmo sob investigação, o BC analisou durante meses a proposta de aquisição do Master pelo Banco de Brasília. O presidente da instituição afirmou que o escopo da operação mudou repetidamente porque a documentação entregue era incompleta.

A compra acabou rejeitada e o banco entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025.

Segundo Galípolo, na data da intervenção a instituição tinha cerca de R$ 4 milhões em caixa para pagar mais de R$ 120 milhões em CDBs sem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Dados apresentados pelo BC indicam ainda:

  • queda de R$ 9,2 bilhões na captação coberta pelo FGC em 2025;
  • redução de R$ 2 bilhões em recursos sem garantia;
  • aportes superiores a R$ 2 bilhões feitos pelo controlador Daniel Vorcaro.

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