Veja quem são os presos na operação contra o roubo do INSS
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Veja quem são os presos na operação contra o roubo do INSS

PF prende ex-presidente do INSS e mais nove suspeitos de fraudes bilionárias em aposentadorias; operação cumpre mandados em 14 estados
Dinheiro apreendido na casa de um dos alvos, no Maranhão — Foto: Divulgação/PF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

PF prende ex-presidente do INSS e outros nove suspeitos de integrar roubo de aposentados

O ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, foi preso nesta quinta-feira (13) durante operação da Polícia Federal (PF) contra o esquema de roubos das aposentadorias e pensões. A ação, batizada de Sem Desconto, é realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e cumpre 10 mandados de prisão preventiva e 63 de busca e apreensão em 14 estados e no Distrito Federal.

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Stefanutto foi demitido do cargo em abril, após o escândalo vir a público. Segundo as investigações, o esquema operou entre 2019 e 2024 e pode ter causado prejuízo superior a R$ 6,3 bilhões. Os investigados são acusados de organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção e inserção de dados falsos em sistemas oficiais.

Em nota, a defesa de Stefanutto afirmou que ainda não teve acesso ao teor da decisão judicial e que “segue confiante de que comprovará a inocência dele ao final dos procedimentos relacionados ao caso”.

Lista de presos

Até a última atualização, nove pessoas haviam sido presas, segundo informações divulgadas pelo presidente da CPMI, Alfredo Gaspar:

  • Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS;
  • Antônio Carlos Antunes Camilo, o Careca do INSS (já está preso);
  • Vinícius Ramos da Cruz, presidente do Instituto Terra e Trabalho (ITT);
  • Tiago Abraão Ferreira Lopes, diretor da Conafer e irmão do presidente da entidade;
  • Cícero Marcelino de Souza Santos, empresário ligado à Conafer;
  • Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior, também ligado à Conafer;
  • André Paulo Félix Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS;
  • Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS;
Virgílio se recusou a comentar sobre transações financeiras e a ligação de familiares com empresas investigadas
Virgílio é investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes e corrupção no INSS. Foto: Carlos Moura/Agência Senado
  • Thaisa Hoffmann, esposa de Virgílio Oliveira Filho.

Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da CONAFER não foi localizado em casa.

Outros alvos da operação

O ex-ministro da Previdência Ahmed Mohamad (José Carlos) Oliveira é alvo de busca e apreensão e passará a usar tornozeleira eletrônica. Também são investigados o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA), vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA) — uma das entidades apontadas como beneficiárias do esquema.

Segundo a PF, o grupo realizava cobranças mensais indevidas nos benefícios de aposentados e pensionistas, sem autorização dos segurados, simulando filiações a associações inexistentes ou sem estrutura real.

Operação e devolução dos valores

A primeira fase da operação foi deflagrada em abril, revelando que 11 entidades cobravam mensalidades sob pretexto de oferecer serviços como planos de saúde e assistência jurídica. Em julho, o governo iniciou o programa de devolução dos valores descontados irregularmente, beneficiando mais de 4,8 milhões de aposentados.

O prazo para contestar os descontos foi prorrogado até 14 de fevereiro de 2026. A solicitação pode ser feita pelo aplicativo Meu INSS, pela Central 135 ou nas agências dos Correios.

Quem é Alessandro Stefanutto

Filiado ao PDT, Stefanutto foi indicado em 2023 para comandar o INSS pelo então ministro Carlos Lupi. Antes, era filiado ao PSB e atuou como procurador da Advocacia-Geral da União (AGU).

Alessandro Stefanuttona CPMI. Foto: Agência Senado
Alessandro Stefanuttona CPMI. Foto: Agência Senado

Ele também participou da equipe de transição entre os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, atuando como consultor na área de Previdência Social.

A defesa do ex-presidente afirma que a prisão é “completamente ilegal” e que ele “colabora desde o início com as investigações”.

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