O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demitiu a ministra da Saúde, Nísia Trindade, na tarde desta terça-feira (25). Lula comunicou a exoneração em reunião realizada no Palácio do Planalto. A saída da socióloga já era especulada há algum tempo, mas as discussões sobre sua substituição se intensificaram desde a semana passada.
Entre os nomes cogitados para assumir o cargo de Nísia Trindade estão o atual ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e Arthur Chioro, presidente da Ebserh e ex-ministro da Saúde de Dilma.
Se Padilha for confirmado no cargo, sua vaga deve ser ocupada por Isnaldo Bulhões ou Antonio Brito (PSD-BA). Outro cotado é o do líder do Governo Lula na Câmara, José Guimarães (PT-CE).
A gestão de Nísia Trindade no Ministério da Saúde foi marcada por desafios e polêmicas, incluindo crises sanitárias, críticas constantes e pressões do Centrão para ampliar seu controle sobre o orçamento da pasta. Entre os principais desgastes, destacaram-se a epidemia de dengue, o ritmo lento da vacinação contra a doença e dificuldades no programa Mais Acesso a Especialistas.
Em 2024, sob sua gestão, o Brasil registrou surtos recordes de dengue, resultando em 6.041 mortes — um aumento de mais de 400% em relação a 2023, quando houve 1.179 óbitos. O número de vítimas da doença superou até mesmo os óbitos por Covid-19 no período, intensificando as críticas à condução da crise sanitária.
Outro ponto controverso da gestão de Nísia foi a autorização do repasse de R$ 3,6 milhões para Cabo Frio (RJ), onde seu filho ocupa o cargo de secretário de Cultura. O valor foi destinado por Nísia ao município por meio da Portaria nº 3.499, de 18 de abril de 2024, sendo o segundo repasse milionário à cidade em apenas cinco meses.
Em outra polêmica, o Ministério da Saúde apresentou uma nota técnica que retirava o limite de 21 semanas e 6 dias para a realização de aborto em casos de estupro. Após a repercussão do caso, Nísia anulou a orientação, alegando que o documento não passou por sua aprovação.
A mais recente polêmica envolvendo a ex-ministra ocorreu quando veio à tona que ela não seguiu a recomendação da própria pasta para a vacinação contra a Covid-19, ficando mais de seis meses sem atualizar sua imunização, contrariando a orientação oficial para pessoas com mais de 60 anos.
Essa é a 8ª troca na Esplanada dos Ministérios feita por Lula no 3º mandato. A ex-presidente da Fiocruz deixa o cargo após pouco mais de 2 anos no comando da pasta.