O presidente Lula realizou hoje (6) uma conversa por videoconferência com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre tarifas e sanções aplicadas a autoridades brasileiras. A reunião durou cerca de 30 minutos e, segundo nota do governo brasileiro, foi amistosa.
Claudio Dantas, jornalista e apresentador do programa Alive, afirmou: “O Lula foi para a conversa com o Trump sem nada, não ofereceu alternativas e não atendeu nenhuma das demandas feitas por Trump na carta”. Ele acrescentou que o presidente brasileiro fez apenas um pedido, solicitando a retirada de sanções contra ministros e a suspensão do tarifaço, sem apresentar contrapartidas.
Segundo Dantas, a resposta de Trump foi clara: “Conversem com o Marco Rubio”, transferindo a negociação para o secretário de Estado americano.
O jornalista analisou o papel de Rubio na conversa e afirmou que ele é “simplesmente o secretário mais ideológico do governo Trump, que tem toda a esquerda na mira e é conhecido por sua postura dura contra ditadores e regimes autoritários latino-americanos”. Dantas sugeriu que, ao designar Rubio, Trump manteve a negociação em mãos firmes e deixou claro que não haveria concessões fáceis.
Dantas analisa que o presidente Lula solicitou a retirada de sanções contra ministros, a anulação da Magnitsky e a suspensão do tarifaço, “mas não apresentou nada em troca”. Ele afirmou ainda que a nota oficial do governo brasileiro apenas “confirma aquilo que antecipamos” sobre os pedidos feitos na conversa.
A cientista política Júlia Lucy comentou que, apesar das declarações críticas de Lula a Trump, “era uma questão de tempo até que o Brasil tivesse essa primeira conversa, e qualquer chefe de Estado que tenha interesse em investir na economia americana será ouvido”. Ela acrescentou que “Trump vem sendo muito pressionado a diminuir o preço de entrada dos produtos brasileiros” e que isso impacta “diretamente o consumidor americano e a política interna dos EUA”.
O analista político Ary Alcântara disse que “até o momento, o Brasil não apresentou nada concreto”, e que “a iniciativa partiu de Trump, que colocou as condições de forma clara para iniciar a negociação”. Ele destacou ainda que existem “diversas questões internacionais pendentes, incluindo sanções, investigações da Lava Jato nos EUA e a situação em Israel”.
Carol Sponza, advogada, afirmou: “Esse é o estilo de negociação do Trump, ele vai no all-in, joga uma tarifa absurda para forçar o adversário a sentar na mesa”. Segundo ela, “o sucesso da negociação depende do envolvimento do Judiciário brasileiro e do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no âmbito da Magnitsky”.
A videoconferência foi acompanhada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Mauro Vieira, Fernando Haddad, Sidônio Palmeira e o assessor especial Celso Amorim.
