Setores como agro e indústria paulista seriam os mais atingidos, segundo o ministro
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (10) que o comércio entre Brasil e Estados Unidos já foi mais expressivo e que a atual tensão causada pela tarifa de 50% imposta por Donald Trump não encontra respaldo econômico. Segundo ele, o governo brasileiro continuará buscando boas relações com Washington, mas sem abrir mão da soberania nacional.
“O comércio bilateral já foi muito maior entre o Brasil e os Estados Unidos. Hoje ele está na casa de 12%. É relevante. E, independentemente disso, do impacto, nós queremos ter boas relações com os Estados Unidos. Os governos vão passar e as nações vão continuar”, disse o ministro a jornalistas.
Haddad advertiu que setores estratégicos da economia brasileira podem ser duramente atingidos caso as tarifas entrem em vigor em agosto.
“Há setores específicos que vocês conhecem bem: o agronegócio, sobretudo de São Paulo, a indústria, sobretudo de São Paulo, serão fortemente afetados se isso continuar.”
Um outro ponto levantado é de que os Estados Unidos possuem superávit comercial com o Brasil e que, portanto, a taxação não se sustenta sob a ótica econômica. Para ele, o caminho é o entendimento.
“Temos que buscar o entendimento, imaginar que alguém com juízo vai aparecer e fazer o que é certo. É sentar à mesa, pesar os argumentos, e, se tiver uma distorção aqui ou outra ali, que é sempre possível, ter abertura para corrigir de parte a parte.”
Haddad defendeu a postura de equilíbrio do Brasil na política externa e criticou a ideia de alinhamento automático com blocos ou governos estrangeiros.
“O Brasil não pode ser apêndice de um bloco econômico. Nós queremos o acordo União Europeia-Mercosul, manter nossas exportações para a Ásia e também os investimentos norte-americanos, que têm o maior estoque de capital no país.”
Por fim, o ele reforçou que o atual embate entre Brasil e Estados Unidos é político, e não técnico.
“Se houvesse uma razão para isso, que fosse de ordem econômica, nós estaríamos dispostos a sentar. Mas não há razão econômica para isso. Nós não podemos misturar ideologia com economia e, menos ainda, alinhar setores da sociedade brasileira contra a soberania nacional.”
