Thiago Miranda atuava como recrutador de influenciadores em esquema ligado ao Master, diz PF
Brasília, Quinta, 09 de julho de 2026
Política

Thiago Miranda atuava como recrutador de influenciadores em esquema ligado ao Master, diz PF

Decisão de André Mendonça cita atuação do empresário na contratação de comunicadores

Thiago Miranda
Foto: Reprodução/ Instagram

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O empresário e publicitário Thiago Miranda, alvo da 10ª fase da Operação Compliance Zero, teria exercido papel central no recrutamento de influenciadores e jornalistas contratados para uma ofensiva de comunicação em defesa de interesses ligados ao Banco Master, segundo a Polícia Federal (PF). A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou os mandados de busca e apreensão realizados nesta quinta-feira (9).

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A investigação apura a suspeita de existência de uma organização criminosa voltada à manipulação da opinião pública, intimidação de jornalistas, monitoramento de pessoas ligadas a autoridades e obtenção indevida de informações sigilosas.

Segundo Mendonça, os elementos reunidos pela PF indicam que Thiago Miranda teria atuado diretamente no recrutamento de influenciadores e profissionais de imprensa, oferecendo acordos financeiros para a produção de conteúdos alinhados aos interesses do grupo investigado.

“Identificou-se que THIAGO MIRANDA estaria diretamente envolvido no recrutamento de influenciadores e jornalistas, através da apresentação de propostas de ajustes financeiros com recursos oriundos do esquema fraudulento relacionado ao Banco Master — embora por ele diretamente dispendidos —, sob pena, em caso de recusa pelos profissionais abordados, de utilização de informações privadas, cobertas por sigilo legal, para fins intimidatórios e ameaçadores”, diz trecho da decisão.

De acordo com a decisão, Miranda também seria responsável pelos pagamentos feitos aos influenciadores. Os valores, segundo a PF, teriam origem em recursos recebidos pela compra de parte do Portal Léo Dias, negócio envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

A PF afirma que os pagamentos eram realizados pelo publicitário com recursos repassados pela empresa Super Empreendimentos e Participações, ligada a Vorcaro. A companhia já havia sido citada em fases anteriores da investigação como uma das estruturas utilizadas pelo grupo para movimentações financeiras sob suspeita.

“Projeto DV”

A decisão de André Mendonça descreve que Thiago teria participado da criação do chamado “Projeto DV”, uma iniciativa voltada à gestão da imagem de Daniel Vorcaro após o avanço das investigações envolvendo o Banco Master.

Segundo a PF, influenciadores e jornalistas eram procurados para participar da estratégia e, em alguns casos, deveriam assinar contratos de confidencialidade antes de conhecer integralmente o conteúdo das ações propostas.

Um dos documentos citados pela investigação previa que os participantes não poderiam divulgar informações relacionadas ao projeto. A PF afirma que, quando profissionais recusavam as propostas, o grupo investigado utilizava informações pessoais obtidas de forma ilícita como forma de pressão.

A investigação aponta ainda que Miranda teria contratado a agência Unlimited, responsável por auxiliar na estratégia de comunicação, e coordenado ações para divulgação de conteúdos favoráveis ao banco e críticas à atuação de órgãos reguladores.

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