O ex-presidente Michel Temer afirmou nesta sexta-feira (10) que os valores recebidos do Banco Master correspondem a honorários advocatícios, e não a pagamentos irregulares. Em entrevista à CNN, ele destacou que passou a atuar na iniciativa privada após deixar a vida pública.
“Não recebi dinheiro, recebi honorários, sou advogado”, declarou. Segundo Temer, os valores foram pagos em razão de serviços de consultoria jurídica, sem vínculo empregatício, prática comum na profissão.
O ex-presidente explicou que foi contratado para atuar em uma intermediação relacionada ao banco antes da decretação de liquidação extrajudicial pela autoridade monetária. A medida foi tomada pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025, no contexto de investigações sobre irregularidades financeiras.
De acordo com Temer, sua atuação teve duração limitada. “Fui até certo ponto e, como não deu certo, veio a liquidação, aí ficou tudo paralisado”, disse. Ele também ressaltou que detalhes do trabalho não podem ser divulgados devido ao sigilo profissional que rege a advocacia.
As apurações conduzidas pela Polícia Federal apontam suspeitas de fraudes e operações financeiras sem lastro envolvendo o banco. No mesmo dia da intervenção, o então controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso.
Temer confirmou ainda ter participado de um encontro em Brasília com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e dirigentes do BRB. Segundo ele, a reunião fazia parte da consultoria prestada e contou também com a presença de Vorcaro.
O caso ganhou maior repercussão após a tentativa do BRB de adquirir o Banco Master, operação barrada pelo Banco Central. Investigações indicam que os ativos oferecidos na negociação não teriam respaldo real, o que levantou suspeitas de fraude bilionária. Há indícios, segundo a PF, de que integrantes do banco público tinham conhecimento da fragilidade desses ativos.
Documentos enviados à Receita Federal e compartilhados com a CPI do Crime mostram que o escritório de Temer recebeu valores milionários do Banco Master. O banco declarou repasses de R$ 10 milhões, enquanto a defesa do ex-presidente sustenta que o montante foi de R$ 7,5 milhões.
Além de Temer, outras figuras conhecidas da política e do meio jurídico aparecem como prestadoras de serviços ao banco, entre elas Guido Mantega, Ricardo Lewandowski e Fabio Wajngarten, que já integrou o governo de Jair Bolsonaro.
