Hoje alvo de críticas, taxa das blusinhas teve defesa do governo Lula
Brasília, Sexta, 19 de junho de 2026
Política

Hoje alvo de críticas, taxa das blusinhas teve defesa do governo Lula

Criada para reforçar a arrecadação e equilibrar a concorrência com o varejo nacional

Lula
Foto: Ricardo Stuckert / PR

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Por Redação

A tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”, passou a ser questionada pelo presidente Lula (PT), embora tenha sido anteriormente respaldada pelo próprio governo como parte de uma estratégia fiscal.

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A medida, que teve apoio da equipe econômica e articulação política no Congresso, agora é alvo de reavaliação em meio ao cenário pré-eleitoral.

Quando foi formulada, a proposta buscava encerrar a isenção para remessas de pequeno valor, sob o argumento de garantir condições mais equilibradas entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras. A mudança estabeleceu a cobrança de 20% de imposto de importação para compras dentro desse limite, além do ICMS estadual.

Nos últimos dias, Lula indicou desconforto com a política, afirmando que a taxação impacta principalmente consumidores de menor renda, que recorrem a esse tipo de compra. A declaração marca uma mudança de tom em relação à defesa inicial feita por integrantes do governo.

Apesar das críticas, a medida elevou a arrecadação federal. Dados da Receita indicam que o recolhimento com importações cresceu significativamente após a implementação da cobrança, enquanto o volume de encomendas internacionais apresentou queda.

O tema começou a ganhar força ainda em 2023, quando o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu o fim da isenção como forma de corrigir distorções no comércio eletrônico. Após repercussão negativa, o governo adotou um modelo intermediário com a criação do programa “Remessa Conforme”, voltado ao controle das operações.

Empresas como Amazon, Shein, AliExpress e Shopee aderiram ao programa, permitindo a continuidade das vendas dentro das novas regras.

A aprovação da taxação ocorreu em 2024, com apoio de lideranças do Congresso e atuação direta do governo. À época, o discurso predominante era de proteção à indústria nacional e aos empregos, diante da concorrência com produtos importados.

A proposta, no entanto, enfrentou resistência de parte da oposição. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve entre os críticos da medida, argumentando que a cobrança aumentaria o custo para o consumidor final.

Mesmo com a divergência, a política foi consolidada. Mais recentemente, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) voltou a defender a tributação como instrumento de proteção econômica. Ainda assim, diante da pressão política e social, o governo estuda possíveis ajustes na medida.

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